Por parroyo

A Rússia anunciou nesta segunda-feira que respeita o resultado dos polêmicos referendos nos quais regiões do leste pró-Moscou da Ucrânia se pronunciaram de maneira ampla a favor da independência e defendeu um diálogo das autoridades ucranianas com os separatistas de Donetsk e Lugansk.

"Em Moscou, respeitamos a expressão da vontade dos cidadãos das regiões de Donetsk e Lugansk". Partimos do princípio de que a aplicação do resultado dos referendos acontecerá de maneira civilizada, sem mais violência, por meio do diálogo entre os representantes de Kiev, Donetsk e Lugansk", firma um comunicado do Kremlin

Na região de Donetsk, os primeiros resultados apontam para quase 90% de apoio ao "Sim" à independência. A consulta não foi reconhecida por Kiev nem pelos países ocidentais. Uma fonte ligada aos rebeldes anunciou uma taxa de 75% de participação.

O resultado do referendo de independência na região vizinha de Lugansk deve ser divulgado nesta segunda-feira, mas as primeiras estimativas apontam para um resultado similar. Várias detonações foram registradas na manhã desta segunda-feira em Slaviansk, reduto rebelde em Donetsk.

A operação militar iniciada por Kiev em 2 de maio contra os separatistas teve prosseguimento na localidade de Andriivka, na entrada sul da cidade de 110.000 habitantes cercada pelas forças ucranianas, afirmou a porta-voz dos ativistas pró-Rússia em Slaviansk, Stella Jorosheva.

Os rebeldes pró-Moscou celebraram no domingo dois referendos sobre as declarações de independência das autoproclamadas "República Popular de Donetsk" e "República Popular de Lugansk".

As autoridades ucranianas e a comunidade internacional temem a reprodução de um cenário similar ao que levou, em março, à anexação da península da Crimeia à Rússia, após um referendo.

O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, chamou nesta segunda-feira de "farsa" sem efeitos jurídicos os referendos.

"A farsa que os terroristas chamam de referendo é apenas um disfarce propagandístico dos assassinatos, sequestros, violência e outros crimes graves", declarou Turchynov no Parlamento.

As autoridades de Kiev "continuarão dialogando com aqueles que no leste da Ucrânia não têm as mãos manchadas de sangue e estão dispostos a defender seus objetivos de maneira legal", completou.

O único "efeito legal" do referendo é levar à justiça os que o convocaram, disse o presidente interino.

Separatistas

Para buscar uma saída da crise, a Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE) nomeou nesta segunda-feira o veterano diplomata alemão Wolfgang Ischinger como mediador da organização na Ucrânia.

O presidente da OSCE, Didier Bulkhalter, afirmou que o governo ucraniano aceitou a proposta de mediação, durante uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) em Bruxelas.

Ao mesmo tempo, ele destacou a abertura de Moscou ao diálogo sobre a Ucrânia e considerou que a UE não deve realizar medidas "que podem ser consideradas como uma provocação.Vimos em Moscou que há uma abertura para o diálogo", disse.

Mas a Rússia descarta a ideia de novas negociações internacionais sobre a Ucrânia se o diálogo não contar com os representantes das regiões separatistas do leste do país, declarou o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

"Voltar a reunir-se a quatro partes não faz sentido", declarou Lavrov ao ser questionado sobre a possibilidade de uma nova rodada de negociações entre Rússia, Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos, como a celebrada em abril em Genebra.

No entanto, a UE decidiu nesta segunda-feira adicionar 13 indivíduos e duas empresas a mais na lista de pessoas físicas e jurídicas submetidas a uma proibição de visto e ao congelamento de bens pela crise na Ucrânia.

As 13 pessoas, russas e ucranianas, entram para a lista que já contava com 48 personalidades punidas desde o início da crise. As duas empresas incluídas na lista são duas instituições que tiraram proveito da anexação da Crimeia à Rússia, segundo fontes diplomáticas. Os nomes das pessoas e das empresas ainda não foram divulgados.

A UE permanece assim na segunda fase das sanções contra autoridades russas ou ucranianas vinculadas ao referendo separatista da Crimeia e à desestabilização da Ucrânia.

A terceira fase das sanções, que incluem medidas punitivas em diferentes setores econômicos, com um custo para os países com maiores vínculos comerciais com a Rússia, gera profundas divisões entre os 28 países membros do bloco.

Eleição em  maio

Kiev pretende manter a eleição presidencial antecipada de 25 de maio e acusa Moscou de tentar impedir a votação.

Os rebeldes, que não aceitam as eleições, chamam de "fascista" o governo provisório, que assumiu o poder após a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovytch no fim de fevereiro.

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