Por marta.valim

A zona do euro está progredindo na gestão do seu setor bancário, após longos anos de crise; contudo, novos riscos estão surgindo, afirmou o Banco Central Europeu nesta quarta-feira.

"Os bancos da zona do euro aceleram sua organização e fortaleceram seus balanços desde o terceiro trimestre de 2013," escreveu o BCE em seu Relatório semestral de Estabilidade Financeira.

Desde a publicação do seu relatório anterior, os bancos da zona do euro reforçaram o capital para um montante de aproximadamente 95 bilhões de euros (129 bilhões de dólares), utilizando uma variedade de instrumentos, verificou o relatório.

O progresso observado é vital, já que o BCE - que assumirá a função de supervisor bancário da região em novembro - compromete-se com uma profunda revisão da qualidade dos ativos bancários e se prepara para implementar os chamados testes de estresse em colaboração com a Autoridade Bancária Europeia.

O Relatório de Estabilidade Financeira também observou o aumento no risco soberano "com a implementação de uma consolidação fiscal e de reformas estruturais, embora os progressos tenham sido desiguais." Isso significa que "as preocupações dos investidores em relação à crise financeira global estão diminuindo."

Ao mesmo tempo, o BCE alertou que "novos riscos estão surgindo, particularmente uma crescente busca por rendimentos em regiões e segmentos de mercado." Como a busca por rendimento cresceu, "surgem as preocupações com o acúmulo de desequilíbrios e a possibilidade de uma correção acentuada e desordenada dos investimentos recentes", alerta a instituição.

Outro fator de risco está na fraca rentabilidade e no estresse do balanço dos bancos em um contexto de inflação baixa e de baixo crescimento, que alimenta o ceticismo sobre a solidez do sistema bancário da Europa.

O BCE também apontou para um possível retorno das preocupações com a sustentabilidade das dívidas soberanas, como resultado de reformas políticas adiadas e de um longo período de crescimento baixo.

"O desafio é garantir que os esforços serão suficientes para finalizar e implementar as reformas necessárias e que as condições de crise não voltarão", indicou o BCE.

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