NY lança projeto que transforma lixo orgânico em gás para aquecimento

Prefeito Bill de Blasio pedirá a 100 mil famílias da cidade para separar sobras de comida que serão recolhidas e levadas a tanques

Por O Dia

Tanques da usina de tratamento de Newtown Creek, no Brooklyn, transformam lixo em gás naturalVictor J. Blue/Bloomberg

Um líquido preto borbulhante se agita dentro de tanques de 44 metros de altura na usina de tratamento de esgoto de Newtown Creek, no Brooklyn, em Nova York. Como estômagos robóticos, eles liberam metano, um subproduto dos resíduos orgânicos processados.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, diz que o gás produzido nas instalações poderia aquecer mais de 5,2 mil residências. Para atingir essa meta, ele pedirá a 100 mil famílias que separem as sobras de comida de outros tipos de lixo e que as deixem em lixeiras de plástico colocadas pela cidade para serem recolhidas na calçada. A comida seria levada aos tanques ovais de Newtown Creek e misturada com esgoto para criar gás natural.

“Estamos tentando descobrir como comercializar nossos resíduos como um recurso”, disse a comissária de saneamento Kathryn Garcia, nomeada em março por de Blasio para dirigir o departamento de 9,5 mil funcionários. “Se tivermos sucesso aqui, esse programa será implementado de forma nacional e internacional”, disse.

Nova York está tentando reduzir os US$ 350 milhões que gasta por ano – e o impacto ambiental provocado – ao transportar o lixo a aterros sanitários tão distantes quanto a Carolina do Sul. A comida jogada fora representa cerca de 18% das 10,8 mil toneladas diárias de lixo residencial da cidade, e os funcionários municipais dizem que os resíduos orgânicos podem ser transformados em combustível e adubo. Se o sistema voluntário funcionar, ele será implementado para cobrir os 8,3 milhões de moradores e poderá se tornar obrigatório.

Metas nobres

Metas tão nobres não serão fáceis de cumprir na cidade mais populosa dos Estados Unidos, que registrou mais de 51 mil violações ao seu programa obrigatório de separação de metal, vidro, plástico e papel no ano fiscal de 2013. A maioria dos prédios de apartamentos foi construída antes que os arquitetos projetassem um espaço para o lixo reciclável.

A taxa de participação de reciclagem da cidade está estagnada em 43% ou menos há anos. Somente cerca de 15% do lixo é desviado dos aterros, muito abaixo da meta de 75% até 2030. Uma proibição de jogar fora dispositivos eletrônicos entrará em vigor no ano que vem e uma lei municipal exige que a taxa de desvio alcance 25% até 2020.

O experimento com restos de comida de Nova York começou em 2012, durante o mandato do ex-prefeito Michael Bloomberg, com 30 mil moradias e 15 escolas. Neste ano, ele abrangerá 240 mil moradores e mais de 400 escolas. Bloomberg, nomeado em janeiro como enviado especial para cidades e mudança climática das Nações Unidas pelo secretário-geral Ban Ki-moon, é o fundador e dono majoritário da matriz da Bloomberg News, a Bloomberg LP.

Esgoto e bactérias

Engenheiros descobriram que a produção de metano aumenta quando alimentos são misturados com esgoto e bactérias em tanques ovais sem oxigênio à temperatura do corpo humano (36,7 graus Celsius). O projeto piloto de Nova York, que começou com cerca de duas toneladas de restos processados por dia, agora crescerá até 50 toneladas e chegará a 250 toneladas até o fim de 2015.

Os tanques de 44 metros de altura de Newtown Creek têm capacidade para 500 toneladas de alimentos para o processo de 15 dias. Outras treze usinas na cidade poderiam ser reformadas para processar 500 toneladas adicionais, disse Vincent Sapienza, vice-comissário de águas residuais do Departamento de Proteção Ambiental da cidade, que opera a usina de Newtown Creek.

Funcionários dizem que os gastos de desviar lixo dos aterros serão menores à média de US$ 93 por tonelada que a cidade paga atualmente para jogá-los. Nova York gasta US$ 74 por tonelada para enviar metal, vidro e plástico recicláveis a uma planta de processamento em Sunset Park, Brooklyn, operada por uma unidade americana da Sims Metal Management Ltd., empresa com sede na Austrália e 270 instalações em cinco continentes.

“A boa notícia é que há muito mais para capturar, um potencial de crescimento enorme”, disse Tom Outerbridge, porta-voz da Sims. “A má notícia é que a reciclagem é obrigatória na cidade desde 1989. Mesmo assim essa taxa de captura tem teimado em permanecer estagnada”.


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