Santos é reeleito presidente da Colômbia com compromisso de negociar pela paz

Juan Manuel Santos foi reeleito com 51% dos votos contra 45% do opositor Óscar Iván Zuluaga. Segundo especialistas, eleições refletem aprovação sobre negociações com as Farcs

Por O Dia

“Colombianos de convicções muito diferentes, inclusive vários que não apoiaram meu governo, se mobilizaram em prol da questão da paz”, disse Santos em seu discurso de vitóriaGUILLERMO LEGARIA / AFP

O presidente colombiano Juan Manuel Santos conquistou nas eleições de ontem seu segundo mandato de quatro anos para continuar avançando com as negociações pela paz, que visam pôr fim à insurgência de guerrilhas marxistas que já dura 50 anos.

O líder da oposição Óscar Iván Zuluaga foi derrotado depois que Santos, 62, um ex-jornalista que estudou na Universidade do Kansas, ganhou o segundo turno por 51% dos votos a 45%. Houve 4% de votos brancos. Santos tomará posse no dia 7 de agosto.

“Colombianos de convicções muito diferentes, inclusive vários que não apoiaram meu governo, se mobilizaram em prol da questão da paz”, disse Santos em seu discurso de vitória, ostentando uma pomba branca na lapela. “Sem o peso desse conflito sobre nossos ombros, a Colômbia será muito melhor”. Seus partidários com bandeiras colombianas entoavam: “Paz! Paz! A Colômbia quer paz!”.

Desde 2012 o governo tem mantido conversações em Cuba com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farcs, em busca de um acordo para pôr fim ao conflito que já custou 200 mil vidas. Os negociadores estão na metade do caminho de uma lista de seis questões e chegaram a acordos em relação à entrega de terras a produtores pobres, à participação dos rebeldes na política e à política antidrogas.

“Em essência, foi um referendo sobre as negociações de paz e isso definiu a vitória de Santos”, disse Laura Wills, diretora do Congresso Visível, um grupo com sede em Bogotá que promove a transparência política. “Este foi um voto de apoio ao progresso realizado nas negociações”.

Reparações

Zuluaga, aliado do ex-presidente Álvaro Uribe, prometeu um “ataque direto ao terrorismo” e demandou condições mais rígidas antes de poder negociar com as Farcs, inclusive um cessar-fogo unilateral.

Em Havana, as próximas questões a serem discutidas pelos dois lados são as indenizações às vítimas do conflito, o fim do conflito e a implementação dos acordos. Cada um dos acordos só terá vigência quando um acordo de paz completo for assinado para acabar com as hostilidades.

O triunfo de ontem significa que os negociadores tentarão chegar a um acordo de modo que os ex-líderes das guerrilhas tenham tempo para fazer campanha para as eleições para prefeito e governador provincial que ocorrerão em outubro de 2015, disse Adam Isacson, especialista em Colômbia do Washington Office on Latin America (WOLA).

“Eles vão precisar finalizar isso daqui a um ano, para que possam ter tudo aprovado legalmente e ter seus candidatos nas eleições, disse Isacson. “Esta é a última eleição até 2018”.

Vitória no futebol

A vitória de 3 a 0 da seleção colombiana de futebol sobre a Grécia na Copa do Mundo provavelmente também ajudou o candidato ao gerar um clima de otimismo nacional, disse Sandra Borda, professora de política na Universidade dos Andes, de Bogotá.

A economia cresceu 4,3% no ano passado, superando a do Brasil, a do México e a do Chile; a taxa de inflação de 2,9% é a mais baixa entre as principais economias da América Latina. O mandato de Santos observou uma redução estável na taxa de desemprego, para 9% em abril, frente a 12,2% no mesmo mês de 2010.

Depois de receber o grau de investimento da Standard Poor’s, da Fitch Ratings e da Moody’s Investors Service em 2011, os títulos da Colômbia denominados em dólares deram um retorno de 25% desde que Santos assumiu o poder, em agosto de 2010. O índice de referência Colcap deu um retorno de 8,6% durante o mesmo período.

O partido Unidade Nacional, de Santos, o partido Mudança Radical e o Partido Liberal, que apoiaram Santos durante o primeiro mandato, conquistaram 92 dos 166 lugares na Câmara dos Deputados e 47 de 102 lugares no Senado nas eleições legislativas que ocorreram em março. É o bastante para que uma coalizão do governo aprove um acordo de paz com o apoio de partidos menores, disse Wills.

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