Por bruno.dutra

Os EUA estão preparando sanções que visam áreas específicas da economia russa, como energia e tecnologia, enquanto a administração de Obama determina as próximas medidas para pressionar a Rússia pela crise da Ucrânia, de acordo com três pessoas com conhecimentos dos planos.

Como alguns membros da União Europeia expressaram a preocupação de que penalidades adicionais contra a Rússia poderiam prejudicar suas economias, é possível que o bloco não concorde com a próxima etapa de sanções que os EUA estão considerando, de acordo com duas das fontes, que solicitaram anonimato porque as deliberações são confidenciais.

O governo dos EUA tem mantido conversações com o Canadá, o Reino Unido e a Austrália sobre esta última série de sanções, disse uma das fontes. As sanções seriam aplicadas à tecnologia utilizada para explorar, produzir, transportar ou fornecer gás natural, petróleo bruto e outros dos seus produtos refinados, disseram duas fontes.

Qualquer medida dos EUA que atinja setores da economia russa marcaria uma escalada das sanções contra o governo do presidente russo Vladimir Putin por fomentar a agitação na Ucrânia. Ontem, em Moscou, Putin solicitou aos legisladores que rescindissem a autorização que eles lhe concederam em 1º de março para recorrer à força na Ucrânia, um gesto conciliatório que gerou uma alta nas ações e no rublo.

Dois dos maiores grupos empresariais dos EUA estão se preparando para romper com a administração de Obama ante quaisquer penalidades adicionais à Rússia, citando potenciais danos às empresas americanas.

O presidente Barack Obama e o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, concordaram ontem em trabalhar juntos para implementar medidas mais coordenadas contra a Rússia se Putin não tomar medidas imediatas para reduzir as tensões na Ucrânia, de acordo com um comunicado da Casa Branca.

Negociações de trégua

Na Ucrânia, a violência continuou com a violação do cessar-fogo estabelecido pelo governo em Kiev e pelos grupos separatistas pró-Rússia. Ontem, os rebeldes derrubaram um helicóptero do governo com um míssil portátil na cidade oriental de Slovyansk, matando as nove pessoas que estavam a bordo, de acordo com o Ministro da Defesa da Ucrânia.

O incidente levou o presidente ucraniano Petro Poroshenko a pedir conversações imediatas com os líderes da Rússia, da Alemanha e da França. A Ucrânia finalizará mais cedo a trégua de uma semana se os separatistas continuarem atacando as forças governamentais durante o cessar-fogo, que é apoiado tanto por Putin quanto pelos líderes rebeldes, disse Poroshenko em seu site, no fim do dia de ontem.

De acordo com os planos mais recentes que estão sendo analisados pelos EUA, as vendas de produtos e transferências de tecnologia seriam revisadas caso por caso, disse uma das fontes, e o governo poderia aprovar, recusar ou adiar qualquer transação.

Boeing e Caterpillar

As empresas com sede nos EUA são a maior fonte de investimento estrangeiro na Rússia, principalmente em tecnologia e serviços financeiros, de acordo com um relatório de 2013 da Ernst Young. Dentre elas, estão a General Electric Co., a Boeing Co. e a Caterpillar Inc.

A Câmara de Comércio e a Associação Nacional de Fabricantes dos EUA estão preparando anúncios que serão publicados amanhã no New York Times, no Wall Street Journal e no Washington Post, advertindo que mais sanções põem em risco os trabalhadores e as empresas dos EUA, disse uma fonte, que pediu para não ser identificada porque as deliberações são confidenciais.

Os anúncios das associações empresariais afirmam que "o único efeito" das sanções adicionais seria "barrar as empresas americanas em mercados estrangeiros e ceder oportunidades de negócios a empresas de outros países", segundo uma cópia fornecida por uma pessoa com conhecimento dos planos.

Os anúncios, escritos como uma declaração conjunta de Jay Timmons e Thomas Donohue, presidentes da associação dos fabricantes e da câmara, respectivamente, não mencionam Obama. Eles mencionam as ações estudadas por “alguns decisores políticos dos EUA”.

Laura Lucas Magnuson, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, disse por e-mail que a administração tem tido “conversas frequentes com os líderes empresariais sobre este assunto desde o início da crise para entender suas preocupações”. Os EUA não podem continuar fazendo as coisas “como de costume”, disse ela.

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