Catalães querem 'sim' de escoceses para forçar UE a aceitar sua independência

Para o presidente catalão, Artur Mas, a independência dos escoceses incentivaria a União Europeia a considerar formas de manter países separatistas no bloco

Por O Dia

O presidente catalão, Artur Mas, disse querer que os escoceses votem a favor da independência em seu referendo, em 18 de setembro, porque isso incentivaria a União Europeia a considerar formas de manter países separatistas no bloco.

“Minha preferência pessoal, como cidadão catalão e cidadão europeu, seria por uma votação pela independência na Escócia”, disse Mas, 58, em uma entrevista concedida ontem, no palácio de governo construído no século 15, em Barcelona, capital catalã. “Se a independência ocorrer, eles terão que negociar com a União Europeia os termos da situação da Escócia na União Europeia e isso seria útil para a Catalunha”.

Os movimentos paralelos de independência na Catalunha e na Escócia representam um desafio para o modelo estabelecido da UE, no qual os estados-membros retêm a maior parte do poder. As autoridades europeias, incluindo o presidente da Comissão, José Barroso, que está de saída, colocaram em dúvida as afirmações de Mas e do primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, de que seus respectivos países possam continuar na UE e, no caso da Catalunha, na zona do euro, insistindo que ambos teriam que solicitar a adesão, assim como a Turquia.

Mas, que planeja realizar um referendo não vinculativo sobre a independência catalã em 9 de novembro, disse não acreditar que os governos centrais da Espanha ou do Reino Unido venham a intervir para vetar uma solicitação de adesão à UE feita por uma Catalunha ou uma Escócia recém-independente.

O cenário mais realista, disse ele, “é abrir as negociações entre os dois governos e os dois países com a UE para estabelecer uma abordagem ganha-ganha para todos”, disse ele.

Ondas europeias

As votações por independência planejadas na Catalunha e na Escócia estão enviando ondas para toda a Europa, elevando a perspectiva de separação de estados-nações construídos ao longo de séculos. Os opositores dizem que a independência aumentaria o risco de uma nova onda de instabilidade no momento em que a Europa se recupera da crise da dívida soberana, enquanto diminuiria a influência dos países deixados para trás e prejudicaria a perspectiva econômica dos estados que se tornaram independentes.

A Catalunha, uma região de 7,5 milhões de pessoas na ponta nordeste da Península Ibérica, é a potência econômica da Espanha. Sustenta uma economia de 193 bilhões de euros (US$ 263 bilhões), aproximadamente do mesmo tamanho da Finlândia. A produção per capita está 17 por cento acima da média da UE, enquanto a Espanha como um todo está 5 por cento abaixo da média.

Os defensores da independência dizem que a Catalunha é tributada em excesso e é sub-representada. A região, que responde por cerca de 20 por cento da economia espanhola, transfere uma receita tributária equivalente a 8 por cento do produto interno bruto do governo central a cada ano, disse Mas.

‘Ferramentas suficientes’

“Nós poderíamos ser a Áustria, a Dinamarca ou a Finlândia”, disse Mas. “Mas não temos ferramentas suficientes”.

Mas disse que sua visão de uma Catalunha independente inclui a evolução da UE, em si, para um superestado, nos moldes dos EUA. Essa perspectiva federalista provocou a oposição do governo britânico à nomeação de Jean-Claude Juncker como presidente da Comissão Europeia, o braço executivo do bloco. Juncker foi confirmado hoje no cargo por uma votação do Parlamento Europeu.

Em setembro, o Parlamento regional catalão deverá aprovar uma lei autorizando uma votação, potencialmente atraindo objeção legal do governo espanhol. Embora Mas possa convocar uma eleição regional como um referendo de facto se seus planos forem bloqueados por Madri, ele disse que todo seu foco, agora, está na votação marcada para novembro.

“Não existe um plano B”, disse Mas.

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