Anos de fome da Grã-Bretanha terminam com economia superando pico prévio à crise

A economia provavelmente cresceu por sexto trimestre consecutivo nos três meses finalizados em junho, pondo fim a uma era que funcionários do Banco da Inglaterra costumavam descrever em termos bíblicos como “sete anos de fome” depois de “sete anos de abundância”

Por O Dia

Talvez os anos de fome na Grã-Bretanha tenham acabado.

A economia provavelmente cresceu por sexto trimestre consecutivo nos três meses finalizados em junho, devolvendo o PIB para níveis vistos por última vez antes da crise financeira. A produção está encaminhada para superar seu pico de 2007 neste ano, pondo fim a uma era que funcionários do Banco da Inglaterra (BOE) costumavam descrever em termos bíblicos como “sete anos de fome” depois de “sete anos de abundância”.

A ressurreição da Grã-Bretanha pode fornecer um estímulo ao primeiro-ministro David Cameron enquanto ele procura ser reeleito no ano que vem, e aumentar a pressão sobre o presidente do BOE, Mark Carney, para que comece a retirar o estímulo de emergência. Ainda que os estrategistas tenham resistido a subir as taxas de juros de uma baixa recorde, há uma chance de 40% de que um deles tenha votado por um aumento neste mês, segundo a BNP Paribas SA.

“A história de uma taxa de crescimento bastante consistente e rápida continua”, disse David Tinsely, ex-funcionário do BOE e atualmente economista da BNP Paribas em Londres. “Os estrategistas terão que pensar em ajustes. Estamos nos aproximando do ponto em que o primeiro membro do Comitê de Política Monetária (MPC) do BOE vote por um aumento”.

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O PIB se expandiu 0,8% no segundo trimestre, igualando o crescimento no primeiro trimestre, segundo a mediana de estimativas de 36 economistas em uma pesquisa da Bloomberg. Com base anualizada, a economia cresceu 3,1%, a maior alta desde os últimos três meses de 2007, prognosticou outra pesquisa antes da publicação em 25 de julho.

O crescimento levará o PIB a ultrapassar seu pico prévio à recessão registrado no primeiro trimestre de 2008. O ex-presidente do BOE Mervyn King anteviu em junho de 2011 “sete anos de fome” para a economia mundial. O ex-vice-presidente Charlie Bean também empregou expressões do Antigo Testamento da Bíblia em um discurso neste ano.

“Meus primeiros sete anos foram anos de abundância”, disse ele, referindo-se a sua época no BOE entre 2000 e 2014. “Mas os seguintes sete anos foram anos de fome, pois a Grande Moderação se transformou em uma Grande Tribulação”.

Carney e seus funcionários têm advertido investidores por não apreciarem os riscos enfrentados pela recuperação, incluindo tensões geopolíticas e ameaças de níveis de dívida elevados e de um aumento súbito nos preços de propriedades. O Banco Central Europeu está bombeando estímulos na zona do euro, o maior sócio comercial da Grã-Bretanha, e ainda que a Reserva Federal tenha começado a reduzir as compras de ativos, ainda compra US$ 35 bilhões em títulos por mês.

Pesquisas de opinião

A recuperação ainda não levou o Partido Conservador de Cameron, o maior sócio do governo de coligação, a superar o Partido Trabalhista opositor nas pesquisas de opinião com eleitores. Uma pesquisa feita pela YouGov Plc em 16 de julho coloca os Tories com 33 por cento, um ponto a menos, e os Trabalhistas 3 pontos acima para 36%. O Partido Liberal Democrata, o outro membro da coligação, aumentou 3 pontos para 9%.

Cameron renovou seu gabinete na semana passada, removendo ministros impopulares para reagrupar-se antes das eleições. A votação e o referendo escocês sobre a independência em setembro estão criando uma incerteza política que poderia afastar investidores da Grã-Bretanha apesar da recuperação do crescimento e do emprego.

“Alcançar esse pico prévio à crise é politicamente importante porque agora o governo pode dizer que a economia é maior do que era em 2007”, disse Rob Wood, economista do Berenberg Bank em Londres e ex-funcionário do BOE. “Economicamente, não faz diferença. O que sim significa é que passamos por sete anos perdidos, o que não é absolutamente nada para nos parabenizar”.

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