Por marta.valim

Se você acha que a zona do euro tem um problema agora que o desemprego é de dois dígitos, espere até o futuro chegar.

Cinquenta e quatro por cento dos empregos nos 28 países da União Europeia estão em risco por causa dos avanços na informatização, segundo um estudo do economista Jeremy Bowles publicado pela Bruegel, organização de pesquisa com sede em Bruxelas.

Inspirado em pesquisas de Carl Frey e Michael Osborne da Universidade de Oxford, Bowles procurou calcular quantos empregos eram vulneráveis a avanços tecnológicos em toda a Europa. Seu trabalho com números deu como resultado entre 40% e mais de 60%, dependendo do país.

Isso se compara com a conclusão de Frey e Osborne de 2013 de que 47% dos americanos em 2010 estavam dentro da categoria de risco, o que significava que suas funções poderiam ser automatizadas nos seguintes dez ou vinte anos.

Países do norte do continente como o Reino Unido, a Alemanha e a França possuem um nível de risco de informatização similar ao dos EUA, descobriu Bowles, que trabalha no Centro Internacional de Crescimento com sede na London School of Economics.

Bowles disse que não era surpreendente que trabalhadores de economias periféricas como a Itália sofressem mais de acordo com a descoberta de Frey e Osborne de que a evolução no aprendizado de máquinas e na robótica móvel prejudicará setores com salários e qualificações baixas antes imunes a avanços tecnológicos.

Dito isto, o efeito pode ser moderado pelo fato de que historicamente esses países têm adotado tecnologias de forma mais lenta que seus vizinhos, disse ele.

“Se nós acreditarmos que a tecnologia conseguirá superar obstáculos tradicionais para tarefas cognitivas não tradicionais, então devemos dotar a próxima geração de trabalhadores de habilidades que se beneficiem da tecnologia e não que sejam ameaçadas por ela”, disse Bowles.

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