Por marta.valim

As novas sanções da União Europeia (UE) contra a Rússia que devem ser anunciadas nesta segunda-feira limitarão o acesso aos mercados financeiros das companhias russas do setor petrolífero Rosneft e Transneft, assim como da filial petrolífera da Gazprom, indicaram fontes diplomáticas.

Como essas três companhias têm mais de 50% de seu capital controlado pelo Estado russo, cumprem os critérios definidos para esta nova rodada de sanções econômicas contra a Rússia por seu envolvimento no conflito da Ucrânia, indicou uma fonte.

A UE resolveu em julho aplicar sanções econômicas contra a Rússia depois que um avião de passageiros foi derrubado na Ucrânia.

Em julho, a UE vedou o acesso de entidades públicas russas ao mercado de capitais europeus proibindo a todo cidadão ou empresa comunitária comprar títulos com um prazo superior a 90 dias.

A UE levará agora esta medida a um prazo máximo de 30 dias, limitando, assim, ainda mais o acesso dos bancos públicos russos a capitais.

Os 28 países membros entraram em acordo sobre o novo pacote de medidas na última sexta-feira, e ele deve ser aprovado formalmente nesta segunda-feira.

Segundo Bruxelas, 31,72% do petróleo que a UE importou em 2013 é proveniente da Rússia, ou seja, 1,1 milhão de barris.

As novas sanções cobrem as mesmas áreas que as decididas em julho: restrição do acesso aos mercados financeiros, proibição de comercializar armamento, restrição de comércio das tecnologias de uso duplo - civil e militar -, restrição ao acesso de tecnologia para a exploração de petróleo não convencional (shale oil, extração em águas profundas, exploração no Ártico).

A nova rodada de sanções também acrescenta mais pessoas à lista de sancionados com proibição de visto à UE e congelamento de eventuais bens no território de algum país membro do bloco.

Rússia ameaça com medidas contra companhias aéreas ocidentais

Em entrevista publicada nesta segunda-feira no site do jornal russo Vedomosti, o primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev, havia alertado que a Rússia responderá a novas sanções proibindo as companhias aéreas ocidentais de sobrevoar seu território, nos voos entre Europa e Ásia, o que pode aumentar consideravelmente os custos.

"Em caso de sanções vinculadas ao setor energético, ou que prevejam novas restrições para nosso setor financeiro, será preciso responder de forma assimétrica", adverte Medvedev.

Diante da União Europeia, que prevê adotar formalmente novas sanções contra a Rússia por seu papel no conflito da Ucrânia, o chefe de governo citou, "por exemplo, limitações no setor aéreo".

"Se nos forem impostas novas sanções, devemos responder", disse. Uma proibição de sobrevoar o espaço aéreo russo "pode provocar a quebra de muitas companhias, que agora mal conseguem sobreviver", comentou Medevedev.

A Rússia já havia advertido no início de agosto que cogitava proibir as companhias ocidentais de sobrevoar seu território, que constitui a rota mais curta nos trajetos entre Europa e Ásia. Isso elevaria consideravelmente em várias dezenas de milhares de euros o custo do combustível para as companhias.

Medvedev afirmou que as sanções têm um efeito duplo. "Quem impõe sanções primeiro se condena a enfrentar dificuldades", disse, lembrando que "não foi a Rússia que começou".

Após a introdução de sanções econômicas sem precedentes contra a Rússia durante o verão (do hemisfério norte), Moscou já decretou um embargo contra produtos agrícolas europeus e americanos, que afetaram estes setores.

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