Por monica.lima

Enquanto a Guerra Santa promovida pelo Estado Islâmico (EI) continua atraindo mais e mais jovens de várias partes do mundo, o primeiro “banco” global anti-terrorismo foi criado em Genebra, na Suíça. O organismo, criado em setembro com o nome Fundo de Resiliência e de Engajamento da Comunidade Global, vai financiar a partir de 2015 projetos de pequena e média escala que desencorajam a radicalização entre jovens em cinco países em uma primeira fase: Mali, Nigéria, Paquistão, Bangladesh e Marrocos.

O fundo pretende amealhar o equivalente a R$ 500 milhões para financiar os projetos a longo prazo. Os valores das subvenções variam entre US$ 10 e US$ 30 mil, informou o diretor interino do banco, Khalid Koser, ao jornal britânico “The Guardian”. Nascido em Londres, com pai paquistanês e mãe convertida ao islamismo, Koser, especialista em migrações e refugiados, dirige Centro de Políticas de Segurança de Genebra.

Os tipos de projetos que a instituição pretende bancar são dos mais variados, mas sempre em áreas identificados como de alto risco para a criação de uma atmosfera de radicalização. Koser cita exemplos como o de formar grupos de estudantes de Tecnologia da Informação paquistaneses que respondam na mídia social mensagens desafiadoras da Jihadi. A partir de novembro, ele vai a campo atrás de projetos, começando pelo próprio Paquistão, palco de vários grupos terroristas como o próprio Talibã.

“O terrorismo não pode ser derrotado só pela força . A comunidade internacional está muito focada no aspecto militar da luta contra o jihadismo”, disse Koser, lembrando que há uma frustração pelo fato de governos gastarem bilhões de dólares com armamentos na guerra ao terror . “Se você pode oferecer um emprego, a oportunidade de praticar esportes ou uma situação familiar estável, isso pode levar os jovens a não escolher o caminho errado”, afirmou.

Umas das tarefas mais importantes no trabalho de prevenção ao terrorismo é a identificação de fatores que motivam jovens de várias partes do mundo a lutarem em grupos jihadistas na Síria e no Iraque. Relatório das Nações Unidas divulgado na semana passada informa que há cerca de 15 mil combatentes estrangeiros naqueles dois países engrossando as fileiras do EI. Esses militantes vêm de 80 países e formam “a base de uma nova diáspora que poderá semear o terror por muitos anos”, disse a ONU. O problema, segundo as Nações Unidas, atingiu hoje uma “escala sem precedentes”. O relatório diz que a sofisticada máquina de propaganda do EI, com o uso da mídia social , dá ao grupo uma aparência “cosmopolita”.

Na sexta-feira, o jornal “The Washington Post” informou que combatentes estrangeiros continuam entrando na Síria em um ritmo de mil por mês, uma quantidade que não diminuiu, apesar da campanha liderada pelos Estados Unidos contra os jihadistas do EI. “O fluxo de combatentes que se dirigem para a Síria se mantém constante. Por isso , o número total continua aumentando”, afirmou ao jornal um funcionário da inteligência americana. Esse fluxo permanente se explica não só pelas campanhas de recrutamento dos grupos radicais, mas também pela relativa facilidade com que se pode viajar para a Síria a partir do norte da África, do Oriente Médio e da Europa.

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