Por monica.lima

O primeiro trem-bala da América Latina será construído por um consórcio chinês. Em mais um passo para estreitar os laços com Pequim, o governo do México escolheu um consórcio chinês para a construção de um trem-bala que promete promover o transporte ferroviário de passageiros no país. O grupo chinês foi o único candidato no processo de licitação.

O Ministério dos Transportes informou que aceitou a proposta de US$ 3,75 bilhões da chinesa Railway Construction para a construção da ferrovia de 210 quilômetros entre a capital, Cidade do México, e o pólo manufatureiro mexicano de Querétaro. O projeto é parte da decisão do presidente Enrique Pena Nieto para trazer ferrovias de alta velocidade para o país e reinaugurar os trens de passageiros na segunda maior economia da América Latina.

Hoje o México tem ferrovias de carga, mas possui poucos trens turísticos, depois que as linhas regulares de passageiros desapareceram a partir da privatização do setor na década de 1990. Um dos resultados dessa carência são as viagens ilegais de imigrantes mexicanos e de países da América Central em cima de um trem de carga apelidado de “La Bestia” (A Besta), com destino final nos Estados Unidos, uma viagem que já matou muitos passageiros.

“Em um país com 120 milhões de habitantes, onde os principais centros urbanos são grandes metrópoles, o transporte de passageiros deve ser de grande escala”, explica o ministro dos Transportes Gerardo Ruiz Esparza. “Além disso, a infra-estrutura do México deve melhorar rapidamente para atender às necessidades atuais e futuras do país e suas regiões”, completou.

De acordo com autoridades federais, o projeto visa levar 23 mil passageiros por dia em velocidades de até 300 quilômetros por hora, reduzindo o trajeto entre a capital e Querétaro, hoje de duas horas e meia, para 58 minutos. O consórcio chinês que venceu a licitação, e que inclui empresas mexicanas, foi o único a apresentar uma proposta dentro do prazo que ia até o dia 15 de outubro. O Ministério dos Transportes disse, à época, que 16 empresas com potencial na área decidiram não fazer propostas, o que inclui os gigantes industriais Mitsubishi do Japão, a francesa Alstom, a canadense Bombardier e a alemã Siemens. Esparza explicou que, em média, apenas duas empresas costumam fazer propostas para projetos de trem de alta velocidade em todo o mundo.

De fato, Brasil e Argentina têm se esforçado para transformar seus projetos em realidade. O Brasil anunciou planos para um trem de alta velocidade pela primeira vez em 2010, mas tem adiado repetidamente o projeto de US$ 16 bilhões de dólares que ligará São Paulo e Rio de Janeiro. No ano passado, o governo disse que estava atrasando a licitação a fim de dar mais tempo para as empresas apresentarem propostas. Isso porque apenas uma empresa sinalizou estar pronta para entrar na disputa. Já os planos da Argentina para uma ligação ferroviária de alta velocidade entre a capital Buenos Aires e Córdoba foram suspensas em 2008 devido às dificuldades financeiras do país.

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