Desigualdade prejudica o crescimento de países ricos, diz OCDE

Estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico revela que crescimento econômico de várias nações ricas foi limitado por causa do aumento da desigualdade

Por O Dia

A desigualdade entre ricos e pobres, que alcançou seu nível máximo em três décadas nos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, prejudica o crescimento econômico, revelou um estudo divulgado ontem pela própria OCDE, um dos principais centros de estudos e pesquisas do Ocidente, sediada em Paris. O aumento da desigualdade custou ao Reino Unido, por exemplo, 9 pontos percentuais a menos de crescimento entre os anos 1990 e 2000, mesma taxa registrada para a Finlândia e para a Noruega, segundo o levantamento da OCDE. A economia britânica expandiu até 40% nesse período, mas poderia ter crescido até praticamente 50% se a desigualdade não tivesse aumentado. No caso dos Estados Unidos, da Itália e da Suécia, a desigualdade custou entre 6 a 7 pontos percentuais de crescimento.

A desigualdade acentuada cortou 10 pontos percentuais de crescimento do México e da Nova Zelândia. A maioria dos membros da OCDE é de países desenvolvidos, como EUA, países da União Europeia, Austrália e Japão. Mas também integram a organização várias nações emergentes como México, Chile e Turquia. O Brasil, a Índia e a China não fazem parte da OCDE. É a primeira vez que a organização publica uma forte evidência de ligação entre desigualdade e crescimento.

O estudo conclui que “a desigualdade de renda tem um impacto negativo sobre o crescimento” e ressalta que políticas de redistribuição de renda que de fato promovam uma maior igualdade não prejudicam o crescimento. “Essas revelações têm implicações relevantes para os formuladores de políticas preocupados com crescimento lento e o aumento da desigualdade”, diz o documento.

“Políticas que ajudam a limitar ou, idealmente, reverter o aumento de longo prazo na desigualdade, fariam não somente as sociedades menos injustas, mas também mais ricas”, afirma o estudo. A organização recomenda um sistema com impostos mais altos para os ricos, o fim de brechas na lei que os beneficiem e o debate sobre o papel de todas as formas de impostos sobre propriedade e sobre riquezas.

Há 30 anos, nos 34 países-membros da OCDE, os mais ricos ganhavam sete vezes mais do que os pobres. Hoje, a renda de 10% da população mais rica é 9,5 vezes superior à renda dos que estão na base da pirâmide social. Os únicos países da OCDE que não registraram aumento da desigualdade foram Grécia e Turquia. O maior crescimento da desigualdade aconteceu nos Estados Unidos, na Suécia, na Finlândia, na Nova Zelândia, em Israel e na Alemanha.

O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, disse que enfrentar a desigualdade crescente é fundamental para promover e manter o crescimento. A organização reconhece a importância dos programas sociais de luta contra a pobreza, mas afirma que só isso não é suficiente: é importante reforçar o acesso da população aos serviços públicos, principalmente educação, para oferecer uma “maior igualdade de oportunidades” e possibilitar a mobilidade social. “Países que promovem oportunidades iguais para todos desde a infância são aqueles que vão crescer e prosperar”, afirma Angel Gurría.

Segundo o estudo, não é apenas a pobreza (os 10% mais pobres da população) que inibe o crescimento econômico. “Os formuladores de políticas devem ficar atentos aos 40% da população na base da pirâmide, que inclui a vulnerável classe média baixa, que está sob o risco de se beneficiar da recuperação econômica e do futuro crescimento.

Um estudo recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) também aponta o prejuízo que a desigualdade provoca sobre o crescimento econômico. A diferença é que o levantamento da OCDE foca os países mais ricos e procura eresponder por que a desigualdade afeta o crescimento. A OCDE acredita que a ligação entre desigualdade e crescimento é resultado de diferentes escolhas educacionais em países mais ou menos iguais.

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