Presidente quer transformar a China em potência no futebol

Xi Jinping anunciou que o país vai quadruplicar o número de escolinhas e que dará aos alunos livros didáticos sobre o esporte

Por O Dia

Ser ruim de bola pode começar a dar dor de cabeça para os chineses. Um decreto assinado pelo presidente Xi Jinping, publicado ontem no website do Conselho de Estado chinês, estabelece uma meta muito concreta para essa nação de 1,3 bilhão de pessoas: melhorar o deplorável futebol do país. O objetivo é dar “um grande salto adiante”, como dizia o famoso lema do líder Mao Tsé-Tung, levado a ferro e fogo entre 1958 e 1960 para desenvolver a China com a coletivização rural e a industrialização. Após ter se transformado na segunda economia do mundo, a China de Xi pretende, com este “grande salto dentro do campo”, sediar uma Copa do Mundo e tornar-se uma potência no futebol.

Das cinco mil atuais escolinhas de futebol, o governo anunciou que o país saltará para pelo menos 20 mil até 2020. Além disso, será criado um comitê do Partido Comunista voltado para o futebol, com a tarefa de acompanhar os avanços dentro do gramado. Milhões de livros didáticos para alunos do primeiro, segundo e terceiro graus, divididos em sete volumes, ensinarão aos chineses como jogar futebol. Esses livros sairão das gráficas da “Imprensa de Educação do Povo” até o final deste mês. Os pupilos vão aprender como fazer embaixadinhas e imagens em 3D vão ensinar as posições dos jogadores no campo além de ajudar a desenvolver, na mente dos alunos chineses, a “estratégia de ataque”.

Apesar da imensa população e poderio econômico do país, a seleção chinesa amarga a 83ª colocação no ranking da FIFA, atrás de vizinhos rivais como Japão e Coreia do Sul, e de times menores como Guatemala. “O secretário-geral Xi Jinping ordenou que nós devemos melhorar nosso desempenho no futebol”, diz o anúncio, que destaca que comparado com o mundo desenvolvido e até mesmo com outros times asiáticos, a seleção chinesa está na lanterninha. A classificação dos times do Japão e da Coreia do Sul para Copas, como a última no Brasil, doeu fundo na alma chinesa. A seleção chinesa só se classificou uma vez para uma Copa: em 2002, que coincidentemente foi organizada conjuntamente pelo Japão e pela Coreia do Sul. Mas os chineses não conseguiram fazer sequer um gol e foram eliminados na primeira fase. Estrearam a Copa perdendo de dois a zero da Costa Rica. Depois encararam o Brasil: 4 a zero. E no jogo de despedida levaram três a zero da Turquia.

A China pensou em sediar a Copa do Mundo de 2018, mas acabou desistindo. “Eu acho que há um interesse imenso no futebol na China. O problema é que os chineses estão muito encabulados (por causa do desempenho ruim da seleção)”, analisou Cameron Wilson, editor fundador do blog “ Wild East Football”, ao jornal britânico “The Telegraph”.

A ideia, que inclui investimento em clubes e em campeonatos, é desenvolver um futebol com “características chinesas”, destacou o Conselho de Estado. Ou seja, os dribles chineses terão um gingado comunista, seja lá como for. Mas o futebol chinês terá também um tempero brasileiro, já que o país foi o que mais investiu neste ano no mercado futebolístico do Brasil. Ao convocar a seleção recentemente, o técnico Dunga incluiu o nome de Diego Tardelli, que trocou o Atlético Mineiro pelo Shandong chinês. É a primeira vez que um atleta que joga na China vai defender a seleção canarinho. Na temporada de transferências 2014-2015, a China desembolsou RS$ 119 milhões com a compra de seis atletas de times da Série A do Campeonato Brasileiro. Pela primeira vez a China foi o país que mais gastou na contratação de jogadores de elite do futebol brasileiro.

Pequim avisou que vai tirar vantagem do sistema socialista “para exaustivamente colocar em prática os valores e funções sociais do futebol”, diz a declaração do Conselho de Estado. Xi é um conhecido fã do futebol, bem diferente de seus antecessores, que gostavam de tênis de mesa. Em uma visita aos Estados Unidos, em 2012, ele encontrou com David Beckham e na Irlanda, ele chutou uma bola para os fotógrafos internacionais. Segundo a agência de notícias “Xinhua”, em um jantar oferecido pelo Rei da Holanda no ano passado, Xi tietou o goleiro holandês Edwin der Sar, com quem teve um longo bate-papo. 

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