Por rafael.souza
México - O papa Francisco celebrará nesta segunda-feira os indígenas mexicanos, com uma visita ao Estado de Chiapas, onde vive uma numerosa comunidade indígena. O pontífice deve presidir uma missa celebrada em três idiomas nativos, graças a um novo decreto do Vaticano que aprovou o uso dessas línguas na liturgia.

Outro objetivo da visita, durante a viagem de cinco dias do papa ao México, é impulsionar a Igreja no Estado menos católico do país. O primeiro papa latino-americano já ofereceu um abrangente pedido de desculpas pelos crimes da Igreja Católica contra os indígenas do continente na era colonial. Nesta segunda-feira ele irá mais longe e homenageará sua cultura, de maneiras que a hierarquia local da Igreja muitas vezes tentou renegar, em uma clara demonstração da crença do pontífice de que os indígenas devem ter um papel importante no México atual.

Papa Francisco em visita ao México Efe

"Eu peço a vocês um ponto de vista de singular delicadeza para os povos indígenas e suas fascinantes e não poucas vezes massacradas culturas", afirmou Francisco no sábado, em discurso a bispos mexicanos. "Os indígenas do México ainda esperam que seja reconhecida efetivamente a riqueza de sua contribuição e a fecundidade de sua presença."

A hierarquia mexicana da Igreja entra há tempos em choque com a "Igreja indígena" da região, uma mescla de catolicismo e cultura indígena nas cerimônias. Foi uma tradição abraçada pelo falecido Samuel Ruiz, bispo de San Cristóbal de las Casas, que em várias ocasiões entrou em conflito com a Igreja mexicana e o Vaticano por seu emprego de costumes locais.
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A missa desta segunda-feira incluirá leituras, preces e hinos nos três principais idiomas indígenas de Chiapas: tzeltal, tzotzil e chol, falados por pouco mais de 1 milhão de pessoas, segundo o último censo do México. O Vaticano adiantou que o pontífice apresentará o decreto oficial que autoriza o emprego dessas línguas, cerca de 50 anos após o Concílio Vaticano Segundo abrir espaço para que a missa seja celebrada em línguas vernáculas, não apenas em latim.
De acordo com estatísticas do governo, 46% dos mexicanos viviam na pobreza em 2014. Em Chiapas, porém, essa cifra sobe para 76%, sendo que 32% da população local enfrenta a pobreza extrema. Após a missa, Francisco deve escutar algumas famílias de Chiapas sobre as dificuldades enfrentadas.
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Em Chiapas, a Igreja enfrenta o avanço dos protestantes evangélicos, que converteram Chiapas no Estado menos católico e um dos primeiros em população protestante e evangélica. Segundo o censo de 2010, 58% da população de Chiapas é católica, enquanto a média nacional é de 83%.