Astronauta-celebridade conta como está sua adaptação à vida sob a gravidade

'Sinto queimar a pele sempre que eu sento, deito ou caminho', contou Scott Kelly

Por O Dia

Estados Unidos - Sentar-se à mesa e comer um bife pode ser uma experiência mundana para muita gente. Mas não para Scott Kelly, o americano que mais passou tempo no espaço e acabou de voltar de missão de um ano na Estação Espacial Internacional. No pouso, quinta-feira, a Nasa já tinha registrado que Kelly voltara 4 cm mais alto, graças à descompressão dos discos da coluna, algo contornado em poucas horas sob a influência inexorável da gravidade. Mas e o resto?

Kelly, que ontem comeu seu primeiro bife desde que decolou, um ano atrás, reclama sobretudo da ardência da pele. Lá no alto, o contato com ‘móveis’ era mínimo. Aqui, o simples ato de sentar numa cadeira por longos períodos causa algum desconforto. “Sinto queimar a pele sempre que eu sento, deito ou caminho”, explicou.

Scott Kelly%2C quinta-feira%2C depois de pousarEfe

Kelly somou 520 dias e 10 horas em órbita, batendo o recorde norte-americano, mas está ‘a anos-luz’ do campeão terráqueo, o russo Gennady Padalka, que viveu 879 dias no espaço. O americano já tem cinco missões no currículo. Na penúltima, passou seis meses fora — a metade do tempo desta última, quando se buscou medir os efeitos no organismo em longos períodos. Tudo isso visa à viagem para Marte.

‘JET-LAG’ PIORADO

“É mais fácil eu me ajustar ao espaço do que eu me ajustar à Terra”, brincou o astronauta em coletiva na sexta-feira. “Nesta e na penúltima missão, sempre teve aquela dorzinha e alguma fadiga”, comparou Kelly. “Na quinta-feira, assim que eu saí do módulo de aterrissagem, eu me senti melhor que da penúltima vez, mas depois de um tempo vi que o ‘jat-lag’ muscular era bem pior.”

Não é só ‘ardência’ na pele que o incomoda. Quem volta do espaço depois de muito tempo sofre de estabanação temporária. E Kelly garante não padecer de outro mal comum: deixar tudo cair no chão. “Não tenho essa tendência, como outros astronautas. No meu primeiro voo, que durou uma semana, eu peguei esse hábito de achar que estava em gravidade zero, onde podia deixar tudo ‘boiando’. Mas você definitivamente subestima o poder da gravidade”, detalha Scott Kelly.

Os testes continuam. A Nasa deixou dezenas de frascos para que Kelly colha urina várias vezes ao dia para medir sua adaptação. Irmão gêmeo de Kelly, Mark também está participando da pesquisa, sobretudo na comparação dos dados.

No mais, para Scott, é um festival de ‘primeiras vezes’: além do primeiro bife, teve a primeira salada, o primeiro pôr do sol... “Estou me reaclimatando, mas é ótimo estar na Terra de novo!”
Com Mashable

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