George Martin, produtor dos Beatles, morre aos 90 anos

Martin foi o responsável por garantir o primeiro contrato dos Beatles com a sua gravadora Parlophone; produtor morreu em casa

Por O Dia

Londres - 'Ele começou como meu pai. Terminou seus dias como meu melhor amigo. Amor é tudo que você precisa’, resumiu o produtor musical Giles Martin, filho do produtor George Martin, morto terça-feira enquanto dormia na sua casa em Londres, aos 90 anos. Célebre por ter produzido a discografia dos Beatles (era costumeiramente chamado de “o quinto beatle”), inicialmente não ficou muito animado com a música do grupo, mas resolveu testá-los e contratá-los. O resto é história.

Nascido em 3 de janeiro de 1926, George Henry Martin chegou a tocar piano e oboé quando jovem e se formou na escola de música e artes dramáticas Guildhall. Ao se formar, já trabalhava no departamento de música clássica da rádio BBC, passando a trabalhar em 1950 no selo Parlophone, ligado à EMI (hoje Universal). Inicialmente gravou discos com peças teatrais e de música clássica. Gravou até LPs de comédia com Peter Sellers. Os Beatles, ainda com Pete Best na bateria — e acompanhados pelo empresário Brian Epstein — surgiram na sua vida em 1962. Foi George quem sugeriu que Best fosse substituído na gravação do single ‘Love Me Do’.

George Martin%2C morreu nesta terça-feira%2C em casaReprodução

O produtor tocou teclados e fez arranjos clássicos para músicas do quarteto como ‘Yesterday’ e ‘Penny Lane’, além do histórico disco ‘Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band’, de 1967, e a trilha do filme ‘Yellow Submarine’. Após o fim do grupo, colaborou com Paul McCartney, Jeff Beck, Elton John e Dire Straits. Em 1993, veio ao Rio para participar do Projeto Aquarius ao lado do guitarrista Robertinho de Recife (que havia gravado seu tema, ‘Pepperland’) e chegou a jantar com Tom Jobim, a quem foi apresentado pelo produtor Marcelo Froes.

Os dois ex-beatles vivos postaram homenagens. Paul relembrou num longo texto como George o convenceu a pôr uma orquestra em ‘Yesterday’. “Disse a ele: ‘Não, George, somos uma banda de rock, e isso não é uma boa ideia’. Com o jeito gentil dele, George me disse: ‘Vamos experimentar e, se não der certo, não usamos e vamos com a versão solo’”, conta Paul, lembrando que o resultado lhe deu uma lição de “arranjo de cordas para quarteto”. Ringo Starr escreveu: “Deus abençoe George Martin, paz e amor para Judy (viúva) e sua família. Sentiremos saudades”.



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