Por felipe.martins

Washington - Relatório das Nações Unidas (ONU) divulgado ontem acusa o governo do Sudão do Sul de permitir que combatentes estuprem mulheres como “salário”. A organização descreve a situação dos direitos humanos naquele país em guerra como uma das mais terríveis do mundo. “O Sudão do Sul está enfrentando uma das situações mais assustadoras do mundo para os direitos humanos, com o amplo uso de violações como instrumento de terror e arma de guerra", disse o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein.

No seu relatório, a ONU diz que, de acordo com fontes confiáveis, as autoridades permitem que grupos aliados estuprem mulheres como forma de pagamento pelos serviços, seguindo o princípio de “façam o que puder e tomem o que quiser”.

País é acusado de fazer vista grossa a atrocidades de seu exércitoReprodução

“A escala e o tipo de violências sexuais — em geral cometidas por forças governamentais do Exército Popular de Libertação do Sudão e de suas milícias afiliadas — são descritos com detalhes terríveis, como a atitude, quase casual, mas calculada, daqueles que massacraram civis e destruíram propriedades e meios de subsistência", disse Al Hussein.

O relatório da ONU contém histórias de pessoas, incluindo crianças e pessoas com deficiência, que foram assassinadas, queimadas vivas, sufocadas, enforcadas e cortadas em pedaços. De acordo com a ONU, a grande maioria das mortes de civis não parece ser resultado do conflito, mas de ataques deliberados contra civis.

GUERRA CIVIL

O Sudão do Sul, que se tornou independente do Sudão em julho de 2011, após décadas de conflito com Cartum, está imerso em uma guerra civil desde dezembro de 2013, quando o presidente Salva Kiir acusou seu ex-vice-presidente, Riek Machar, de querer derrubá-lo. Mais de 2,3 milhões de pessoas fugiram de suas casas, e dezenas de milhares morreram por causa do conflito e das atrocidades cometidas por ambos os lados.




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