Matéria-prima das bombas do Estado Islâmico é chamada de 'Mãe de Satã'

Terror usou TAPT nos explosivos que mataram em Paris e em Bruxelas. E isso desespera especialistas

Por O Dia

Bruxelas - As bombas do Estado Islâmico que mataram mais de 150 pessoas em Paris, dia 13 de novembro, e em Bruxelas, terça-feira, têm um DNA em comum. Todas são à base de triperóxido de triacetona, ou TATP, substância que tem tirado o sono de especialistas em segurança.

O ‘êxito’ das ações dos extremistas e o material retido pela polícia — como os 15 quilos de TATP encontrados esta semana na Bélgica, após os atentados — mostram que um armador altamente qualificado está trabalhando para o terror. Como também não se tem notícia de explosões acidentais nem de incêndios suspeitos, indícios de que algo deu errado na produção dos artefatos, a ‘expertise’ do armeiro fica ainda mais evidente.

Embora feito com ingredientes ‘caseiros’ — como removedor de esmalte —, o TATP é muito instável: exige precisão na fórmula, e um leve choque é capaz de detonar a bomba. Não por acaso ela é conhecida pelos terroristas como ‘Mãe de Satã’.

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É praticamente impossível sobreviver à explosão, que move tudo a impressionantes 19 mil km/h. O desafio das autoridades é desenvolver formas de localizar o TATP, que na forma sólida é parecido com a cocaína. Existem detectores químicos, e cães podem aprender a farejar a substância, mas no geral ela passa despercebida. Combater a Mãe de Satã é a prioridade na guerra ao terror.

Marcha pelas vítimas em Bruxelas é suspensa por segurança

Organizadores cancelaram a marcha em Bruxelas marcada para hoje. A passeata deveria mostrar um sinal de resiliência e desafio aos atentados com bomba na última semana. Autoridades pediram que as pessoas evitassem colocar mais pressão sobre a já sobrecarregada força policial do país, que ainda busca suspeitos dos ataques.

A Bélgica acusou ontem três pessoas de terrorismo em conexão com as explosões no aeroporto e em uma estação de metrô na terça-feira, nas quais 34 pessoas foram mortas, incluindo três agressores.
Nos dias seguintes, a polícia executou série de operações e prisões na cidade, e o governo tem mantido o alerta de segurança no nível três, o segundo maior.

O prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur, e o ministro do Interior, Jan Jambon, pediram para que a manifestação seja adiada por várias semanas. O organizador da marcha, Emmanuel Foulon, porta-voz do Parlamento Europeu, disse compreender o argumento. “A segurança de nossos cidadãos é uma prioridade absoluta”, ponderou.

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