Policiais miraram em crianças refugiadas em campo, acusam médicos

ONG denunciou ação truculenta. Divisa entre Macedônia e Grécia foi bloqueada, encerrando a chamada 'rota balcânica'

Por O Dia

Grécia - Durante os confrontos registrados no campo de recolhimento em Idomeni, na fronteira entre a Grécia e a Macedônia, registrados há cerca de dois dias, forças policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo e atiraram balas de borracha "na altura de crianças", denunciaram nesta terça-feira, dia 12, fontes da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF).  O primeiro ministro grego Alex Tsipras classificou o ato nesta terça-feira como vergonhoso.

O presidente da MSF Itália, Loris De Filippi, disse, em coletiva de imprensa em Roma, que mais de 200 pessoas ficaram feridas e que três crianças foram lesionadas pelos projéteis.

Menino mostra bombas de gás lacrimogêneo usadas pela polícia contra crianças refugiadas em campo EFE

"Essa situação é uma aberração criada pela Europa e não resolvida pela Europa", declarou, acrescentando que o cenário seria um "desastre" sem a ajuda de organizações humanitárias.

A polícia da Macedônia usou gás lacrimogêneo para conter os cerca de 500 imigrantes do campo de acolhimento de Idomeni que tentavam atravessar a fronteira entre os dois países. Por sua vez, os solicitantes de refúgio responderam atirando pedras nas forças de segurança.

Crianças refugiadas em campo em Idomeni observam soldados da Macedônia EFE

O grupo havia escutado boatos sobre uma iminente reabertura da divisa entre Macedônia e Grécia. Quando os policiais negaram os rumores, os imigrantes decidiram tentar cruzar a barreira à força.

A fronteira entre as duas nações está bloqueada desde o início de março, em uma medida que encerrou a chamada "rota balcânica" dos refugiados que saem do Oriente Médio, principalmente da Síria, e passam por Turquia, Grécia, Macedônia, Sérvia, Hungria, Croácia e Eslovênia. Seu objetivo é chegar à parte mais rica da União Europeia, especialmente Alemanha e Áustria. O fim dessa rota é resultado do acordo entre Bruxelas e Ancara para enfrentar a pior crise migratória desde a II Guerra Mundial. O pacto prevê que todos os solicitantes de refúgio que desembarcarem na Grécia sem documentos sejam devolvidos para a Turquia.

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