Afastamento de Dilma Rousseff é destaque na imprensa internacional

Após decisão de senadores, sites de todo o mundo começaram a informar o impeachment da líder brasileira

Por O Dia

Brasília - A imprensa da Europa informou o afastamento da presidente Dilma Rousseff por meio de alertas de "urgente" distribuídos a seus leitores. Para o jornal francês Le Monde, o Brasil deu salto "no desconhecido" com a abertura do processo de impeachment no Senado, aprovada no início da manhã desta quinta-feira, em Brasília.

"Após uma longa noite de deliberações, o Senado chegou, na noite de quarta para quinta-feira, à maioria dos votos necessários para a admissão do processo de impeachment (destituição). A presidente deverá deixar o Planalto, sede da presidência, ladeada por seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente entre 2003 e 2010", informou o jornal francês. "O resultado do voto no Senado a obriga a entregar o poder a seu vice-presidente, Michel Temer."

Le Monde afirmou que a decisão de afastamento de Dilma foi sob 'uma atmosfera de melancolia'Reprodução

Para o diário parisiense, "uma atmosfera de melancolia" reinava no plenário. "Os senadores se expressaram um mês após o voto mordaz dos deputados. Ao tumulto de seus colegas da câmara baixa, eles responderam com solenidade", avaliou Le Monde.

Em Londres, o jornal The Guardian acompanhou em tempo real a decisão no Senado. O jornal acompanhou os discursos e destacou as principais frases da madrugada. Sobre a defesa de Dilma Rousseff, publicou a frase do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que advertiu em seu discurso que o Brasil se tornaria "a maior república de bananas do planeta" caso o impeachment fosse aceito. "As acusações contra Dilma Rousseff serão agora investigadas em comitê. O vice-presidente Michel Temer assume o poder durante este período", explicou o jornal britânico.

The Guardian destacou que 'As acusações contra Dilma Rousseff serão agora investigadas em comitê' Reprodução

O El País, de Madri, classificou a sessão plenária como "histórica e extenuante", e lembrou que por "uma maioria simples de senadores brasileiros (55 de 81)" o Senado "deu luz verde ao processo de destituição". "A dirigente do Partido dos Trabalhadores sairá hoje mesmo pela porta principal do Palácio do Planalto, sede presidencial, em um gesto explícito que quer dizer que acata, mas não aprova a decisão", interpreta o jornal.

O afastamento também foi destaque no The New York Times, que observou que Dilma acabou sendo alvo de toda a raiva da população contra a corrupção sistêmica e economia em crise.

O The New York Times informa que a presidente foi alvo da raiva e a crise econômica Reprodução

Em Roma o jornal La Repubblica destacou a admissão do processo de impeachment de Dilma Rousseff, afirmou que o Brasil, "em caso de destituição", não vai para eleições antecipadas", e que Michel Temer "completará o mandato presidencial até 1º de janeiro de 2019".

O diário lembrou logo a seguir o suposto envolvimento do senador Aécio Neves, do PSDB, em escândalos de corrupção. "A situação é complicada também para o líder da oposição, Aécio Neves: o Supremo Tribunal Federal autorizou a investigação por corrupção contra o líder do PSDB, partido de centro-direita e um dos principais apoiadores do impeachment", afirma.

O Clarín informou que Temer é um político mestre em se mover nos bastidores do poderReprodução

Na América do Sul, o argentino Clarín comenta que Michel Temer, que assumirá o poder, "sabe se mover nos bastidores do poder". O site do diário mostra que dos 81 senadores, 55 votaram a favor e 22, contra, explicando que o vice, Temer, assumirá o poder. O integrante do PMDB é apresentado como um “líder que sabe se mover nos bastidores do poder”.

Já a emissora americana CNN lembrou que a primeira mulher a ser eleita presidente no Brasil foi alvo de uma batalha política pela sua cassação.

A CNN lembrou que Rousseff foi a primeira mulher a presidir o mais país da América Latina Reprodução

Para a BBB de Londres, “Dilma Rousseff, do Brasil, vai enfrentar o julgamento do impeachment”, informa a emissora pública londrina, destacando que a presidente foi afastada por 180 dias pelo senado em uma sessão que durou mais de 20 horas, mas que ela nega as acusações. A emissora lembra que ela estará suspensa durante os jogos olímpicos, que começam em 5 de agosto.

A emissora britânica BBC mostrou que Dilma foi afastada meses antes dos jogos olímpicosReprodução


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