Por bianca.lobianco

Rio - Em meio aos surtos de dengue, zika, chikungunya e influenza, doenças menos conhecidas e nem por isso menos importantes podem passar despercebidas. Como a febre Q, que tem sintomas semelhantes, mas, se não diagnosticada corretamente, pode causar sérias complicações, como pneumonia e inflamações no fígado e no tecido cardíaco. O alerta é do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), ao destacar a importância de se comprovar as suspeitas por meio de exame laboratorial, e não somente com o diagnóstico clínico e testes rápidos.

Febre Q pode ser facilmente confundida com Zika em diagnósticos Banco de imagens

Uma pesquisa foi feita pela Fiocruz com 272 pacientes com suspeita de dengue em um hospital de Itaboraí, na Região Metropolitana, entre março de 2013 e outubro de 2014. Do total, 166 tiveram diagnóstico confirmado para dengue, enquanto nove pessoas foram identificadas com a bactéria Coxiella burnetti, causadora da febre Q, zoonose que pode ser transmitida por animais domésticos, como cães e gatos. Um desses nove pacientes também apresentou infecção pelo vírus da dengue.

“Embora a quantidade de amostras positivas para febre Q pareça inexpressiva, chama atenção a correlação que os profissionais de saúde fizeram com a dengue no momento do diagnóstico clínico”, afirma Elba Lemos, chefe do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses.

Ela explica que por ser uma zoonose complexa e ter poucos casos registrados, a febre Q ainda é muito negligenciada. “Embora não exista em grande número, ela nos preocupa devido à resistência do patógeno e sua perpetuação no ambiente, podendo causar surtos”, completa Elba.

Diante dos surtos de dengue, zika, chikungunya, o novo protocolo do Ministério da Saúde determina apenas o exame clínico epidemiológico, pelo qual o médico fica autorizado a atestar que o paciente está com alguma dessas três doenças apenas pelo relato de sintomas que menciona no consultório.

“Esperamos que os profissionais de saúde não desconsiderem a circulação de outras doenças. Teremos mais casos de dengue do que de febre Q, por exemplo, porém, é fundamental o suporte laboratorial no diagnóstico para que se possa fazer um tratamento correto”, ressalta.

Descoberta na Austrália em 1935, a febre ganhou o nome Q por ter origem desconhecida: foi batizada de ‘query fever’ (febre interrogação, em tradução livre). A doença já causou surtos na França e Holanda e também é comum nos Estados Unidos e em Portugal. No Brasil, houve casos no Rio de Janeiro e em São Paulo e Minas Gerais.

SINTOMAS
Dores no corpo, febre alta, náusea, vômito, cansaço e dor de cabeça são sintomas comuns nos casos de dengue e de outras viroses que circulam no Brasil e também na febre Q. Fadiga,tosse, diarreia, perda de apetite e dores musculares completam o quadro clínico.

CONTÁGIO
Se dá pela inalação de partículas contaminadas do ar ou pelo contato com o leite, fezes, urina, muco vaginal ou sêmen de gado, ovelhas, cabras e mamíferos domésticos, incluindo cães e gatos. A bactéria é extremamente resistente ao calor, à seca e a diversos produtos químicos, o que lhe permite uma longa sobrevivência no ambiente. “É necessário evitar ou controlar a circulação da bactéria no ambiente, ao invés de apenas tratar do paciente infectado”, explica Elba.

PÚBLICO-ALVO
Estão mais suscetíveis à bactéria as pessoas que têm contato com animais, como criadores de gado, trabalhadores rurais e veterinários, por exemplo, além de donos de animais domésticos,que contaminados diretamente pela mordida de carrapatos.

TRATAMENTO
Quando houver suspeita da febre, o paciente deve ser medicado imediatamente. Simples e de baixo custo, o tratamento adequado consiste na utilização de um antibiótico específico por aproximadamente três semanas. No caso crônico da doença, esse período pode se estender por meses. Com o tratamento ideal nos primeiros três dias, as manifestações clínicas, como febre, podem ir embora em 72 horas. Mas, se não houver a medicação adequada, o quadro pode piorar.


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