Por felipe.martins

Nas últimas semanas, o termo ‘brexit’ ganhou espaço na imprensa, nas mídias sociais e sobretudo na cabeça de quase 65 milhões de britânicos. Hoje, depois de meses de campanha acirrada, cheia de reviravoltas e marcada por um assassinato, ingleses, escoceses, galeses e norte-irlandeses decidem se o Reino Unido fica na União Europeia ou deixa de fazer parte do bloco.

As últimas pesquisas davam ligeira vantagem para o ‘ficar’, ainda na esteira da comoção pela morte de Jo Cox, parlamentar pró-Europa assassinada a facadas e tiros por um lunático ultradireitista, semana passada. Perspectiva bem diferente dos últimos meses, quando o ‘sair’ chegou a botar quase 10 pontos de vantagem.

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Aproveitando a onda, líderes europeus, capitaneados pelo primeiro-ministro David Cameron, reforçaram o discurso pela permanência. Barack Obama e Hillary Clinton fazem coro; Donald Trump, sempre ele, quer a separação do Reino Unido.

CASAMENTO TURBULENTO

Reino Unido e Europa nunca caíram de amores um pelo outro. A História tem incontáveis exemplos de rupturas. Um é a fundação da Igreja Anglicana, em 1534 — o imbróglio de Henrique VIII com o Papa Clemente VII, sobre a anulação de seu casamento, por causa de Ana Bolena. Outro é o ‘Esplêndido Isolamento’, política que vigorou no século 19, quando a interferência britânica na Europa foi mínima — e teria beneficiado a indústria inglesa e afins.

Nos dias de hoje, apesar de toda a diplomacia, o Reino Unido é um membro acanhado do bloco. Não quis aderir ao Euro, por exemplo, e tem a chance — introduzida por David Cameron — de sacramentar o divórcio.


Indecisos são o fiel da balança

Estima-se que um em cada dez britânicos ainda não sabe como votar hoje. Com o empate técnico estampado nas últimas pesquisas, ambos os lados miram suas baterias nesse contingente. David Cameron alertou que o Reino Unido corre o risco de ficar isolado se o brexit vencer. Ele criticou a abordagem “intolerante” que, segundo ele, adotou o lado favorável ao brexit.

O presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, advertiu que não haverá nova negociação com o Reino Unido, e que esse país já obteve “o máximo” que podia conseguir da União Europeia. “Os eleitores devem saber que não haverá renegociação. Concluímos um acordo com o primeiro-ministro David Cameron, que obteve o máximo possível. Demos o máximo que podíamos dar”, disse o presidente da Comissão, em referência ao acordo firmado em fevereiro entre o Reino Unido e os Estados-membros.


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