Beyoncé critica violência policial contra negros: 'Parem de nos matar'

Cantora escreveu em carta aberta que comunidade está farta e não precisa de compaixão, mas de luta contra impunidade

Por O Dia

Estados Unidos - A cantora americana Beyoncé publicou nesta quinta-feira uma carta aberta com fortes críticas às recentes mortes de negros por policiais dos Estados Unidos e afirmou que a comunidade não precisa de compaixão, mas sim respeito por suas vidas (leia o texto abaixo).

Ela citou as mortes de Alton Sterling, um homem negro de 37 anos morto na última terça-feira em Baton Rouge, na Louisiana, por dois policiais brancos, e do jovem Philando Castile, que morreu nesta quarta-feira em Falcon Heights, em Minnesota, em outro incidente com agentes que o prenderam por uma infração de trânsito.

"Estamos fartos e cansados dos assassinatos de homens e mulheres jovens em nossas comunidades. Depende de nós tomar uma posição e exigir que eles parem de nos matar'", escreveu a cantora.

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Beyoncé no vídeo polêmico do álbum 'Lemonade' Reprodução Internet

"Nós não precisamos de compaixão. Precisamos que todos respeitem nossas vidas. Nós vamos nos mobilizar como comunidade e lutar contra qualquer um que acredite que o assassinato ou qualquer outra ação violenta contra aqueles que juraram nos proteger devem continuar constantemente impunes", completou Beyoncé.

A cantora, geralmente reticente a falar com a imprensa, tem se mostrado especialmente ativa em erguer sua voz contra a brutalidade policial como com o clipe que gravou sobre o tema, "Formation", lançado em fevereiro, e que gerou críticas por parte de alguns políticos conservadores americanos.

"Estes roubos de nossas vidas nos fazem sentir desamparados e sem esperança. Mas temos que crer que estamos lutando pelos direitos da próxima geração, pelos homens e mulheres que acreditam no bem", acrescentou a cantora, ao ressaltar que esta é "uma luta humana".

"Não importa a raça, o gênero ou a orientação sexual. Esta é uma luta para qualquer um que se sente marginalizado e que não tem direito à liberdade e aos direitos humanos. "

Na mensagem, a cantora quis deixar claro que o texto não é uma crítica contra todos os policiais, mas contra "aqueles seres humanos que não sabem avaliar a vida". "A guerra contra as pessoas de cor e contra todas as minorias deve acabar. O medo não é uma desculpa. O ódio não vencerá."

Confira, abaixo, a íntegra da carta aberta de Beyoncé:

Estamos fartos e cansados dos assassinatos de homens e mulheres jovens em nossas comunidades.

Depende de nós tomar posição e exigir que eles "parem de nos matar".

Nós não precisamos de compaixão. Nós precisamos que todos respeitem nossas vidas.

Nós vamos nos mobilizar como uma comunidade e lutar contra qualquer um que acredite que o assassinato ou qualquer outra ação violenta contra aqueles que juraram nos proteger devem continuar constantemente impunes. 

Estes roubos de vidas nos faz sentir desamparados e sem esperança mas nós temos temos de acreditar que estamos lutando pelos direitos da próxima geração, pelos homens e mulheres jovens que acreditam no bem.

Esta é uma luta humana. Não importa sua raça, gênero ou orientação sexual. Esta é uma luta por qualquer um que se sente marginalizado, que está lutando por liberdade e direitos humanos.

Isto não é um recado a todos os oficiais de polícia mas para todo ser humano que não valoriza a vida. A guerra contra pessoas de cor e todas as minorias precisa acabar.

Medo não é uma desculpa. O ódio não vencerá.

Nós todos temos o poder de canalizar nossa raiva e frustração para a ção. Nós devemos usar nossas vozes para fazer contato com políticos e legisladores e nossas comunidades para pedir mudanças sociais e judiciais.

Enquanto nós rezamos pelas famílias de Alton Sterling e Philando Castile, também rezaremos pelo fim desta praga de injustiça em nossas comunidades.

Clique para fazer contato com os políticos e legisladores na sua área. Sua voz será ouvida.

- Beyoncé

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