Autor do ataque de Nice tinha passagens pela polícia

Autoridades francesas afirmam que tratava-se de um franco-tunisiano de 31 anos identificado como Mohamed Lahouaiej Bouhlel

Por O Dia

Nice - A polícia francesa identificou o autor do ataque em Nice, na França, que deixou 84 mortos e 18 feridos em estado crítico: trata-se de um franco-tunisiano de 31 anos, chamado Mohamed Lahouaiej Bouhlel. Ele era residente na cidade e tinha passagens pela polícia por violência a mão armada, mas não por radicalização jihadista.

Terrorista que matou mais de 80 pessoas era franco-tunisiano e já tinha passagem pela polícia Reprodução Internet

O atentado aconteceu por volta das 22h45 de quinta-feira, na Promenade des Anglais, no coração do balneário turístico de Nice, onde dezenas de milhares de franceses e estrangeiros acabavam de acompanhar os fogos de artifício dos festejos públicos da festa nacional de 14 de Julho, Dia da Bastilha.

Entre as vítimas ainda em atendimento, estão crianças, a maior parte com traumatismo craniano e fraturas graves. O presidente da França, François Hollande, disse nesta sexta-feira que cerca de 50 feridos no atentado da noite anterior estão "em estado crítico, entre a vida e a morte", em pronunciamento nessa cidade mediterrânea. Os americanos Sean Copeland, de 51 anos, e seu filho Brodie, de 11, foram identificados nesta sexta-feira como duas das vítimas do ataque. Segundo Hollande, há muitos estrangeiros entre as vítimas. 

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O caminhão que atropelou as pessoasReprodução Twitter

Um brasileiro radicado na França, Anderson Happel, está entre os feridos, mas não corre risco. Segundo e embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, cônsul-geral do Brasil na França, não há informações até aqui sobre outros brasileiros entre os feridos e mortos, mas o monitoramento continua, já que há vítimas ainda não identificadas e desaparecidos. "Estamos em contato constante com a célula de crise do Ministério das Relações Exteriores da França e até o momento não há registro de cidadãos brasileiros vitimados. Tampouco recebemos contatos de brasileiros na região de Nice", confirmou ao Estado a embaixadora.

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Os mortos e feridos foram atingidos por um motorista, que invadiu uma área fechada à circulação de veículos e acelerou um caminhão de mais de 15 toneladas contra o público, deixando mortos e feridos por um trajeto de mais de dois quilômetros. Ao término do percurso, abordado pela polícia, o motorista foi abatido pelas forças de ordem, após troca de tiros. O terrorista estava armado de uma pistola Browning 7.65, mas outros armamentos encontrados no interior do veículo, entre os quais fuzil e granadas, eram fictícias. 

O caminhão utilizado na noite do atentador tinha sido alugado na segunda-feira passada pelo homem identificado como o autor do massacre com documentação válida para fazê-lo, revelou nesta sexta-feira o canal público de televisão "France 2". Foi uma empresa de Saint Laurent du Var, a poucos quilômetros a oeste de Nice, que alugou o veículo a Mohammed Bouhlel. O canal da televisão pública mostrou imagens de duas casas sendo revistadas pela Polícia em dois bairros da capital da Côte D'Azur, e que correspondem a um apartamento no qual vivia este tunisiano e outro de seus parentes.

Segundo a emissora "France Info", que falou com vários de seus vizinhos que o descreviam como muçulmano pouco praticante, que gostava de dançar e de mulheres, em janeiro tinha brigado depois de um acidente de trânsito, o que lhe causou problemas com a Justiça. Uma das questões-chave agora para os investigadores é Bouhlel teve cúmplices. A esse respeito, a "France 2" afirmou que o exame das imagens das câmeras de vigilância do Passeio dos Ingleses mostra que ninguém mais subiu nem desceu do caminhão.

Dezenas de pessoas ficaram feridas Reprodução Twitter

Uma batida foi realizada pelas autoridades na residência do criminoso. Segundo Pólo Antiterrorismo do Ministério Público de Paris, que coordena as investigações, o autor do crime não era fichado pelos serviços secretos por terrorismo ou radicalismo. Por outro lado tinha antecedentes por violência a mão armada, roubo e agressão, além de agressão conjugal.

Em Paris, uma reunião do Conselho de Defesa, órgão de interministerial coordenado pelo presidente francês, François Hollande, foi realizada nessa manhã. Na saída, o primeiro-ministro, Manuel Valls, confirmou que um projeto de lei será enviado ao Parlamento para prolongar o Estado de Emergência, o regime de medidas de exceção para combate ao terrorismo, será prolongado por mais três meses - ele vigoraria apenas mais duas semanas.

"A França mais uma vez foi atingida por um ano terrorista covarde", afirmou Valls. "O terrorismo, nós advertimos há um bom tempo, é uma ameaça que pesa há muito na França, e que ainda pesara por bastante tempo. Estamos enfrentando uma guerra."

Hollande confirma que ataque em Nice foi ato terrorista

O presidente francês  François Hollande disse em um pronunciamento já na madrugada francesa que o atentado com um caminhão em Nice que matou pelo menos 77 pessoas, incluindo crianças, foi um ato terrorista. “A natureza terrorista [do ataque] não pode ser negada. O motorista foi morto a tiros, não sabemos se ele tinha cumplices”, disse Hollande. “Toda a França está sob ameaça do terrorismo islâmico”.

Hollande declarou que o estado de emergência iniciado após os ataques de novembro de 2015 e que se encerrariam no dia 26 de julho agora serão extendidos por mais três meses após o ataque de Nice. De acordo com o presidente, o trabalho da polícia aumentará, inclusive nas fronteiras

O presidente também disse que a França vai fortalecer sua campanha na Síria e no Iraque após o ataque a Nice.

Um vídeo na Internet reproduzido por emissoras de TV no exterior mostra o caminhão se aproximando em baixa velocidade quando um homem tenta fazê-lo parar. Em seguida, o veículo acelera e se lança sobre a multidão.

Moradora de Nice há 11 anos, a brasileira Adriana Izzo-Ortolano relatou no Facebook o pavor vivido durante o atentado. No ataque ela e o marido ficaram a apenas um metro e meio do caminhão em alta velocidade.

"Foi após os fogos de artifício. De repente eu vi pessoas correndo, então este grande caminhão veio e atropelou alguém a sangue frio, que morreu. A gente se escondeu atrás de uma barraca doces e ouviu muitos tiros. A polícia disse degagez, que em francês significa corre. Parece que estamos a salvo por agora, Nós fechamos as janelas e persianas. Não sair de casa e rezar".

Segundo a administração regional de Alpes-Maritimes, da qual Nice é a capital, o atentado aconteceu por volta de 22h45 na Promenade des Anglais (Caminho dos Ingleses), uma das mais importantes da cidade cidade.

As autoridades suspenderam as comemorações do Dia da Bastilha e orientaram os moradores e turistas a permanecer em casa.

As primeiras imagens compartilhadas nas  redes sociais mostram corpos aglomerados em plena avenida e pânico em ruas adjacentes. No Twitter, o prefeito de Nice, Christian Estrosi, pediu que as pessoas não saissem de suas casas e diz que irá continuar divulgando informações. "O motorista de um caminhão parece ter causado dezenas de mortes", escreveu.

Uma jornalista local, publicou um vídeo em que mostra as pessoas correndo logo após o ocorrido.


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