Exército da Turquia diz que controla o país e presidente pede que povo resista

Às 22h45 (horal local; 16h45 de Brasília) aconteceu uma troca de tiros entre helicópteros que sobrevoavam o quartel do Estado-Maior em Ancara e agentes da polícia no local

Por O Dia

Istambul - O Exército da Turquia informou, em comunicado, que assumiu o poder em todo o país nesta sexta-feira e declarou lei marcial. "O Exército assumiu totalmente (o poder) para restaurar a democracia... Todos os acordos internacionais serão vigentes. Esperamos manter nossas boas relações com todos os países", diz a nota do Estado-Maior.

Em vídeos que circulam nas redes sociais, civis são atingidos por tiros disparados dos helicpóteros dos militares golpistas. Bombas foram lançadas em várias regiões de Ancara.

Além disso, a agência de notícias "Anadolu" afirma que o chefe do Estado-Maior, general Hulusi Akar, foi tomado como refém por um grupo de soldados. Soldados tomaram os aeroportos internacionais de Ancara e Istambul, que fecharam e tiveram todos os voos cancelados.

Às 22h45 (horal local; 16h45 de Brasília) aconteceu uma troca de tiros entre helicópteros que sobrevoavam o quartel do Estado-Maior em Ancara e agentes da polícia no local. A imprensa turca anunciou que o presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, fará um discurso em breve.

Militares controlam estrada na TurquiaAFP

O primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, confirmou hoje em entrevista à rede de televisão "NTV" que há um aparente golpe militar. "Trata-se de um grupo dentro do Exército que se insurgiu", disse o chefe do governo, admitindo que os militares em questão haviam "cercado alguns edifícios importantes".

"Aqueles que o fizeram pagarão um alto preço. Não faremos concessões na democracia", prometeu. A agência de notícias turca "Dogan" afirmou que várias ambulâncias tinham ido ao quartel central do Estado-Maior onde, segundo testemunhas, foram ouvidos vários tiros.

Segundo o portal de notícias "T24", o prédio onde fica o comando dos serviços secretos turcos tinha sido atingido por disparos feitos por um helicóptero. Um grande contingente de polícia está nas ruas de Ancara e fechou os acessos à praça de Kizilay, uma das principais da capital.

Além disso, policiais fecharam as duas pontes sobre o Bósforo em Istambul, impedindo o tráfego da parte asiática à europeia da cidade, informou a rede de televisão "NTV". Ainda segundo a emissora, tanques foram enviados para as proximidades do aeroporto internacional de Istambul.

Presidente pede que povo vá às ruas e resista ao golpe

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, fez um apelo aos cidadãos do país para que resistam contra a tentativa de golpe militar desta sexta-feira, cometido, segundo ele, por um pequeno grupo de militares.

"Peço a nosso povo, a todo mundo, que encha as praças do país para dar (ao exército) a resposta necessária", declarou Erdogan, por telefone, à rede de televisão "CNNTürk".

"Este golpe de Estado nunca terá sucesso. Cedo ou tarde será eliminado. Vou voltar a Ancara", acrescentou o presidente, que está de férias fora da capital turca.

De acordo com Erdogan, o incidente desta sexta-feira é, "infelizmente, uma tentativa de golpe de Estado perpetrada por um pequeno grupo dentro do exército feita por uma estrutura paralela dentro do Estado", disse o presidente.

"(Os responsáveis) vão receber a resposta da nação e pagarão um alto preço por agirem contra a nação. Não vamos ceder. Em breve vamos encerrar isto. Sou o comandante em chefe, sem mim o exército não pode fazer nada. Ouvi dizer que o chefe do Estado-Maior está detido, mas não sei até onde é verdade", disse o líder turco.

Ministro da Cultura está em Istambul

O Ministério da Cultura informou que a comitiva brasileira que acompanha a 40º Reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, em Istambul, está bem e aguarda no hotel os desdobramentos da situação na Turquia. Entre os participantes da comitiva está o ministro da pasta, Marcelo Calero.

De acordo com a pasta, até o momento, não há confirmação do cancelamento da reunião do comitê. Em nota, o ministério informou que “a comitiva brasileira está em constante contato com o Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, e conta com o apoio do Consulado Geral do Brasil, em Istambul”. A reunião, que avaliaria a candidatura do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, a Patrimônio Mundial da Humanidade, neste sábado (16) foi suspensa em decorrência dos conflitos internos do país.

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