Presidente da Turquia diz que não entregará o país e que limpará Exército

Presidente havia saído do local momentos antes de hotel ser atingido por militares golpistas: 'Não vamos abandonar o país'

Por O Dia

Istambul - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, diz que seu secretário-geral foi sequestrado por golpistas e que não há informações sobre o chefe da equipe militar. O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, afirmou em uma entrevista à NTV, que ordenou a "aniquilação" de aviões militares utilizados por golpistas e que essas aeronaves foram retiradas de uma base aérea em Eskisehir, ao leste de Ancara.

De acordo com transcrições das palavras de Erdogan fornecidas pelo seu próprio gabinete, o presidente disse que desembarcou em Istambul, vindo de um resort em Marmaris, que também foi bombardeado depois de sua partida. "Aqueles que dirigem por aí com tanques terão de voltar para onde vieram... O mais importante agora é que milhões de cidadãos turcos estão nas ruas às 4h30", disse Erdogan. Os golpistas "são uma minoria dentro do exército".

Ainda de acordo com Erdogan, "a Turquia tem um governo democraticamente eleito e um presidente". "Nos estamos no poder e vamos continuar exercendo nossos poderes até o fim. Não vamos abandonar nosso país para esses invasores. Isso vai acabar bem". Fonte: Associated Press.

O presidente afirmou que funciona uma "organização terrorista armada" na estrutura militar do país e que muitos oficiais já estão sendo presos e que continuarão a ser presos para limpar o Exército. Segundo o primeiro ministro-turco, 120 oficiais já foram presos por envolvimento no golpe.

Exército golpista tenta tomar o país e presidente pede que povo saia às ruas

O Exército da Turquia informou, em comunicado, que assumiu o poder em todo o país nesta sexta-feira e declarou lei marcial. "O Exército assumiu totalmente (o poder) para restaurar a democracia... Todos os acordos internacionais serão vigentes. Esperamos manter nossas boas relações com todos os países", diz a nota do Estado-Maior.

Em vídeos que circulam nas redes sociais, civis são atingidos por tiros disparados dos helicpóteros dos militares golpistas. Bombas foram lançadas em várias regiões de Ancara.

Além disso, a agência de notícias "Anadolu" afirma que o chefe do Estado-Maior, general Hulusi Akar, foi tomado como refém por um grupo de soldados. Soldados tomaram os aeroportos internacionais de Ancara e Istambul, que fecharam e tiveram todos os voos cancelados.

Aliados do presidente Erdogan conseguem impedir um dos tanquesEfe

Às 22h45 (horal local; 16h45 de Brasília) aconteceu uma troca de tiros entre helicópteros que sobrevoavam o quartel do Estado-Maior em Ancara e agentes da polícia no local. 

O primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, confirmou hoje em entrevista à rede de televisão "NTV" que há um aparente golpe militar. "Trata-se de um grupo dentro do Exército que se insurgiu", disse o chefe do governo, admitindo que os militares em questão haviam "cercado alguns edifícios importantes".

"Aqueles que o fizeram pagarão um alto preço. Não faremos concessões na democracia", prometeu. A agência de notícias turca "Dogan" afirmou que várias ambulâncias tinham ido ao quartel central do Estado-Maior onde, segundo testemunhas, foram ouvidos vários tiros.

Segundo o portal de notícias "T24", o prédio onde fica o comando dos serviços secretos turcos tinha sido atingido por disparos feitos por um helicóptero. Um grande contingente de polícia está nas ruas de Ancara e fechou os acessos à praça de Kizilay, uma das principais da capital.

Além disso, policiais fecharam as duas pontes sobre o Bósforo em Istambul, impedindo o tráfego da parte asiática à europeia da cidade, informou a rede de televisão "NTV". Ainda segundo a emissora, tanques foram enviados para as proximidades do aeroporto internacional de Istambul.

Presidente pede que povo vá às ruas e resista ao golpe


O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, fez um apelo aos cidadãos do país para que resistam contra a tentativa de golpe militar desta sexta-feira, cometido, segundo ele, por um pequeno grupo de militares.

"Peço a nosso povo, a todo mundo, que encha as praças do país para dar (ao exército) a resposta necessária", declarou Erdogan, por telefone, à rede de televisão "CNNTürk".

"Este golpe de Estado nunca terá sucesso. Cedo ou tarde será eliminado. Vou voltar a Ancara", acrescentou o presidente, que está de férias fora da capital turca.

De acordo com Erdogan, o incidente desta sexta-feira é, "infelizmente, uma tentativa de golpe de Estado perpetrada por um pequeno grupo dentro do exército feita por uma estrutura paralela dentro do Estado", disse o presidente.

"(Os responsáveis) vão receber a resposta da nação e pagarão um alto preço por agirem contra a nação. Não vamos ceder. Em breve vamos encerrar isto. Sou o comandante em chefe, sem mim o exército não pode fazer nada. Ouvi dizer que o chefe do Estado-Maior está detido, mas não sei até onde é verdade", disse o líder turco.

Ministro da Cultura está em Istambul

O Ministério da Cultura informou que a comitiva brasileira que acompanha a 40º Reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, em Istambul, está bem e aguarda no hotel os desdobramentos da situação na Turquia. Entre os participantes da comitiva está o ministro da pasta, Marcelo Calero.

De acordo com a pasta, até o momento, não há confirmação do cancelamento da reunião do comitê. Em nota, o ministério informou que “a comitiva brasileira está em constante contato com o Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, e conta com o apoio do Consulado Geral do Brasil, em Istambul”. A reunião, que avaliaria a candidatura do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, a Patrimônio Mundial da Humanidade, neste sábado (16) foi suspensa em decorrência dos conflitos internos do país.

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