Terror em Nice matou dez crianças

Nenhum grupo terrorista reivindicou ter dado ordem para o mega-atropelamento, que teve 84 mortes

Por O Dia

Nice, França - Subiu para 84 o número de mortos no mega-atropelamento no Passeio dos Ingleses, em Nice, quinta-feira à noite. Dez eram crianças — uma delas é Kayla Ribeiro, de 6 anos, filha da carioca Elizabeth Cristina de Assis Ribeiro, que está desaparecida. Entre os 200 feridos, 25 estão em coma, e 27, em estado grave. Dois brasileiros sofreram escoriações no ataque na orla e passam bem.

Autoridades francesas ainda investigam o que motivou Mohamed Lahouaiej-Bouhlel a alugar um caminhão-baú e, a 70 km/h, avançar sobre a multidão que tinha assistido à queima de fogos do Dia da Bastilha, a festa da independência. Tunisiano com permissão de residência em Nice, Mohamed tinha três filhos e resistia ao fim do casamento, pedido pela mulher. Ele trabalhava como entregador e motorista de caminhão — credenciais que facilitaram o aluguel do veículo do massacre.

Carrinhos de bebê e roupas ensanguentadas à espera da períciaReprodução

Sua esposa foi detida para prestar esclarecimentos. O pai do autor do massacre de Nice afirmou que o filho tinha uma grave doença psiquiátrica, era instável e às vezes violento. Vizinhos consideravam Mohamed um sujeito calado que, nos últimos dias, parecia perturbado. O tunisiano nunca demonstrou fanatismo religioso — era visto de bermudas, algo impensável para um jihadista. Sites simpatizantes do Estado Islâmico comemoraram o atentado, mas nenhum grupo terrorista assumiu a autoria do ataque, o que torna a investigação mais sensível.

O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, disse que não existem elementos para ligar Mohamed com o jihadismo, relação que, no entanto, foi estabelecida pelo primeiro-ministro Manuel Valls. No segundo pronunciamento desde o ataque, o presidente François Hollande destacou que 50 pessoas ainda lutavam pela vida. “A França inteira deve compartilhar esta emoção, esta solidariedade com as vítimas”, afirmou. Ontem ele já havia decidido estender o Estado de Urgência. Hoje há nova reunião no gabinete de crise.

Com agências internacionais


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