Ouvir bem é cada vez mais difícil para jovens e adultos

Som alto é uma das causas de problemas auditivos. Aparelhos ajudam a recuperar

Por O Dia

Rio - Aproximadamente 360 millhões de pessoas sofrem com algum tipo de perda auditiva. Ao contrário do que muitos pensam, o problema não atinge somente idosos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os mais afetados são jovens e adultos. O hábito de ouvir música em alto volume coloca em risco a audição de cerca de 1 bilhão de jovens em todo o mundo. Em países desenvolvidos, mais de 43 milhões de pessoas, entre 12 e 35 anos, já sofrem de surdez incapacitante.

A OMS estima que metade das pessoas nessa faixa etária está exposta a riscos pelo uso excessivo de fones de ouvido e 40% pelos altos níveis de ruído em casas noturnas e bares. Doenças infecciosas, como rubéola e meningite, e uso de antiinflamatórios também podem causar o problema.

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Segundo o o otorrinolaringologista Shiro Tomita, de 15% a 18% da população têm algum problema auditivo, de maior ou menor intensidade. “Antigamente havia mais casos com pessoas em torno de 42 a 45 anos, mas hoje a idade diminuiu. Em média, a população mundial vem desenvolvendo alguma dificuldade entre os 37 e 38 anos”, afirma.

Pesquisa da empresa austríaca MED-EL em cinco capitais brasileiras (Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo) apontou que falta de conhecimento e informação para a identificação dos problemas auditivos. Mais da metade dos entrevistados não busca conhecimento adequado (57%). Além disso, 64% deles não sabe como prevenir o problema.

Outra pesquisa indica a dificuldade de aceitar essa condição. Apenas 40% das pessoas com perda auditiva reconhecem que ouvem mal. A falta de informação quanto às próteses auditivas atuais também faz com que a maioria demore, em média, seis anos para tomar uma providência.
“Não há demérito algum em usar aparelho auditivo. Atualmente, existem diversos tipos, com tecnologia digital, pequenos e quase imperceptíveis, que não ofendem a vaidade de quem os usa. O aparelho contribui para melhorar a autoestima e a qualidade de vida”, afirma a fonoaudióloga Isabela Carvalho, da Telex Soluções Auditivas.

Sheila de Souza Vieira, enfermeira de 28 anos, hoje tem mestrado e faz doutorado com foco em deficiência auditiva. Ela perdeu a audição aos 13 anos, por causa de uma meningite meningocócica, que foi diagnosticada tardiamente pelos médicos. Já são 14 anos com o implante auditivo. “Se eu tivesse três ouvidos teria três implantes!”, disse. O implante Colear, que faz com que o paciente passe a ouvir quase que normalmente, é oferecido pelo Sistema Único de Saúde. Este implante tem sido um grande avanço e muitos pacientes têm se beneficiado, de acordo com o tipo e grau do problema.

Mas para muitos a perda da audição ainda faz com que a vida social seja um grande obstáculo, inclusive para a família. Se não tratada adequadamente, a dificuldade de audição pode levar ao isolamento e à depressão. A fonoaudióloga Marcela Stefanini explica que para quem não consegue desenvolver a linguagem oral, tanto adultos quando crianças, por ter tido um diagnóstico tardio, existem escolas especiais que ensinam libras.

Dicas para prevenir a perda auditiva

Evitar sons muito altos durante muito tempo. Não ficar perto de caixa de som.

Cuidado ao tomar antibióticos, que podem prejudicar a audição. Na dúvida, consulte seu médico.

Dispense o uso do cotonete. “A cera serve para proteger o ouvido e o cotonete a empurra para dentro”, explica o otorrinolaringologista Edio Cavalaro.

Zumbido nos ouvidos em adolescentes é um sintoma de perda auditiva.

Ouvir rádio ou TV em um volume muito alto ou se repetidamente a pessoa pede para que alguma frase seja dita novamente são sinais de que a pessoa está desenvolvendo o problema.

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