Trump afirma que os EUA precisam ter fronteiras fortes e volta a defender muro

Republicano procurou garantir os votos dos eleitores conservadores com a promessa de deportar imigrantes ilegais, apoiar o direito de uso de arma e de nomear juízes da Suprema Corte que possam derrubar propostas que defendam o direito do aborto

Por bianca.lobianco

Estados Unidos - A 20 dias das eleições para a presidência dos Estados Unidos, os candidatos republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton voltaram a trocar acusações no terceiro e último debate da corrida eleitoral. Transmitido ao vivo nesta quarta-feira, a partir de Las Vegas, cidade do estado de Nevada,  para todo o território norte-americano por redes de televisão, de rádio, pela internet e até em salas de cinema, o debate, em determinados momentos, passou longe das propostas políticas de cada um dos partidos e resvalou para ataques pessoais. Hillary chamou Trump de "fantoche" do presidente da Rússia, Vladimir Putin. E Trump se referiu a Hillary como "mulher desagradável".

Donald Trump e Hilary Clinton incendiaram debate nos EUA a 15 dias da eleição presidencialEfe

Sob pressão para conter a queda nas pesquisas, desde que nove mulheres o acusaram de assédio sexual, e também desde que foi divulgado um vídeo em que faz comentários desrespeitosos às mulheres, Donald Trump procurou, durante o debate, desqualificar as acusações das mulheres. Ele disse que elas são "falsas" e que as mulheres que o acusam provavelmente só desejam a "fama". 

Trump procurou garantir os votos dos eleitores conservadores com a promessa de deportar imigrantes ilegais, apoiar o direito de uso de arma e de nomear juízes da Suprema Corte que possam derrubar propostas que defendam o direito do aborto.

O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu que o país tenha fronteiras fortes e voltou a falar da necessidade de construir um muro na fronteira do país com o México. "Precisamos de fronteiras fortes. Não podemos ter anistia", afirmou ao ser questionado sobre o tema "imigração". Trump também defendeu a expulsão de imigrantes ilegais do país. Todos os dias, disse ele, inúmeros imigrantes sem documentação entram no país traficando drogas. Trump também afirmou que a democrata Hillary Clinton também gostaria de ver o muro construído, mas não vai conseguir fazer, como nada que planeja.

O republicano disse ainda que o presidente Barack Obama deportou em seu governo milhões de imigrantes, assim como ele planeja fazer se for presidente dos EUA. Ele disse que uma de suas primeiras ações no governo será mandar os "hombres" maus para fora, afirmou, falando a expressão em espanhol.

Hillary ressaltou que tem uma política de imigração bem diferente de seu oponente. Ela criticou o republicano por usar imigrantes ilegais para construir seus famosos prédios ao redor dos Estados Unidos.

Transferência pacífica de poder

O moderador do debate, Chris Wallace, observou que a transferência pacífica de poder é uma característica da democracia americana. Ele lembrou, porém, que isso depende de o candidato perdedor aceitar a validade dos resultados eleitorais. Wallace perguntou a Trump se ele aceitaria o resultado do pleito mesmo que perdesse as eleições. Trump primeiramente respondeu que a eleição está sendo manipulada contra a sua campanha. Depois, dirigindo-se ao moderador, o candidato republicano afirmou: "Vou mantê-lo em suspense, está bem?". Nesse momento, Hillary comentou: "Isso é horrível".

Hillary Clinton disse também que toda vez que Donald Trump pensa que algo não está indo em seu benefício, ele afirma que "essas coisas são manipuladas" .

Ao deixar a resposta em suspense, Trump amplia a crise provocada há uma semana pela sua afirmação de que, se perder, a derrota decorrerá de fraude. Tal afirmação provocou críticas a ele não só no Partido Democrata como de seus próprios colegas do Partido Republicano. Os que discordam de Trump temem que a acusação de fraude possa provocar a não aceitação do resultado eleitoral pelos eleitores republicanos por considerarem o processo ilegítimo.

Com informações do Estadão Conteúdo

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