Miami - Com um misto de sentimentos de alívio, por ter terminado uma campanha agressiva e cheia de baixarias, e preocupação sobre quem será o próximo ocupante da Casa Branca, os americanos vão hoje às urnas.
Pesquisas apontam ligeira vantagem para Hillary Clinton sobre Donald Trump, mas dentro das margens de erro, e ninguém é capaz de garantir quem será o próximo presidente dos Estados Unidos.
Eleitores democratas se mostram um pouco mais confiantes com as últimas pesquisas, mas ainda temem bastante uma vitória de Trump. “Todos estão muito nervosos com a possibilidade de Trump ser presidente, depois de tudo que ele disse na campanha. Ele se mostrou racista, autoritário, contra todos os valores do meu país”, disse Ann Marchant, empresária de 45 anos, que levava ontem um cartaz de apoio a Hillary, em Miami, na Flórida.
O estado é um campo de batalha na disputa eleitoral, com 29 representantes no colégio eleitoral, e empate técnico nas pesquisas. A estudante de origem cubana Daniela Alvarez, de 19 anos, era outra que estava apreensiva. “Estou apavorada com a ideia de ter um presidente como Trump”, disse ela.
Uma colega republicana da mesma universidade rebateu: “Fico apavorada é em ter uma mulher que defende o aborto como presidente”, disse a americana JoAnne Charles, de 21 anos.
Os imigrantes cubanos mais velhos tendem a votar nos republicanos, porque, em geral, são contra a aproximação promovida pelo presidente Barack Obama com o país.
“Obama deu tudo a Castro e não cobrou nada em troca. Eu gostaria de ir a Cuba, mas só se fosse livre e democrática”, diz o motorista cubano Roly Del Sol, 55 anos, que mora desde os 7 na Flórida. Por isso, diz que votará em Trump, apesar dos discursos anti-imigrantes.
- Glossário
Colégio eleitoral
É o que está em jogo na corrida à Casa Branca. Apura-se o vencedor em cada estado, que leva o número predefinido de delegados. Quem somar 270 (a metade mais um) é eleito.
'Swing State'
São os estados que ‘mudam de lado’ de uma eleição para a outra, ao contrário dos tipicamente republicanos, como o Texas (e todo o Meio-Oeste americano), e democratas, como a Califórnia (e o Nordeste).
'Battleground'
São os estados, normalmente ‘swing’, onde a disputa é mais parelha. O site ‘realclearpolitics.com’ lista 14. A Flórida é tradicionalmente muito disputada.
'Election Night'
É a marcha da apuração e varre a madrugada, uma vez que os EUA têm quatro fusos (fora Alasca e Havaí). Urnas fecham à meia-noite (de Brasília).
O repórter viajou a convite do Departamento de Estado dos EUA