Novos tratamentos contra o câncer aumentam sobrevida de pacientes

No entanto, acesso na rede pública é desafio no país

Por O Dia

Rio - Até pouco tempo atrás, a palavra câncer era quase impronunciável em muitos lares brasileiros. O mito em torno da doença foi derrubado e hoje fala-se com mais naturalidade sobre o mal que deve representar a principal causa de morte no país em 2030, superando as doenças cardiovasculares.

Serão 27 milhões de registros em todo o mundo, com 17 milhões de óbitos. Quase o dobro do registrado em 2013, que teve 14,9 milhões de casos e 8,2 milhões de mortes. Em 2015, a taxa de casos de câncer no Rio de Janeiro é de 289,47 por 100 mil habitantes entre homens e 269,90 entre mulheres.

“A doença é devastadora, choca as famílias, muda a maneira de enxergar a vida”, afirma o oncologista Stephen Stefani, do Hospital do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre (RS).

Hospitais têm tecnologia de última geração. No Quinta D’Or%2C destaque para mamografia e cirurgia robóticaDIVULGAÇÃO / Centro de Oncologia Quinta D’Or

Segundo ele, embora a incidência de alguns tipos de câncer venha reduzindo, como o de estômago, mudanças sócio-culturais e aumento da longevidade da população tornam a doença ainda mais complexa.

“Uma em cada nove mulheres acima dos 30 anos vai ter câncer de mama. Felizmente, a maioria vai ficar curada”, exemplifica. E cada vez gasta-se mais para tratá-la. Pelo menos uma ou duas novas drogas entram no mercado a cada mês, ao custo médio de 10 mil dólares (mais de 30 mil reais). Mas muitas dessas novidades não chegam ao doente da rede pública.

“A raiz do problema está na precificação. Nem todo mundo se beneficia dos novos remédios”, destaca.

Um abismo social separa pacientes tratados no SUS e na rede privada. Quase como dois ‘Brasis’. “Metade do que se gasta com a saúde no Brasil (54%) é com os 25% da população (45 milhões) que têm plano. Gasta-se cinco vezes mais no sistema suplementar. Não é a mesma medicina”, aponta Stefani.

Ele lembra que nos países mais desenvolvidos, a chance de sobrevida nos casos de câncer é de 60%.

Enquanto no SUS falta quase tudo, na rede privada o que se vê é até desperdício. Ele dá o exemplo: enquanto no Canadá, onde 95% do sistema de saúde é público, a taxa é de oito aparelhos de ressonância magnética por um milhão de habitantes, na rede privada brasileira esse número chega a 17. Já na rede pública, o índice é de 2,5 aparelhos por um milhão de habitantes.

Para Carlos Barrios, diretor do Hospital do Câncer Mãe de Deus, é necessário investir mais em pesquisa clínica no Brasil, para se preparar para a epidemia de câncer. Atualmente, apenas 1,7% dos estudos clínicos sobre câncer são realizados no Brasil, um total de 177.

“Aqui o processo regulatório é o dobro ou até três vezes mais que no Canadpa ou Austrália. E não é porque somos mais éticos. Pior que a burocracia, o problema esbarra na ideologia”. Segundo ele, facilitar o acesso de pacientes a essas pesquisas, inclusive, poderia ajudar a desafogar a rede pública. 

Rede privada aposta em tecnologia

A falta de centros especializados e as longas esperas por consultas e exames desafiam o tratamento de câncer no Brasil. Na medicina privada, os avanços chegam mais rápido. No Grupo COI (Clínicas Oncológicas Integradas), por exemplo, a radioterapia usa o método RapidArc, que chega a ser oito vezes mais rápido que outras tecnologias radioterápicas, em sessões diárias de até um minuto e meio apenas.

Já o Centro de Oncologia do Hospital Quinta D’Or realiza diagnóstico, tratamento e até procedimentos cirúrgicos. A unidade oferece cirurgia robótica com o robô da Vinci, com mais eficiência e precisão, e faz mamografia digital com tomossíntese, uma tecnologia inovadora que detecta lesões sutis. Recentemente, inaugurou um Centro de Transplante de Medula Óssea.

* A jornalista viajou a Porto Alegre (RS) a convite do Hospital do Câncer Mãe de Deus.

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