Por thiago.antunes

Havana - O Memorial José Martí, na Praça da Revolução, abriu as portas nesta segunda para que os cubanos pudessem dar adeus ao ex-presidente Fidel Castro, que morreu sábado. As cinzas foram colocadas nesse emblemático local de Havana e ficarão lá até quarta-feira. Começa, então, longa procissão até domingo, data em que as cinzas serão enterradas no Cemitério de Santa Ifigenia, em Santiago de Cuba, do outro lado da ilha — caminho inverso do da revolução de 1958.

Praça da Revolução recebeu longas filas durante todo o dia. Terça e quarta%2C cinzas de Fidel estarão no Memorial José Martí%2C onde o Comandante dava seus longos discursosEfe

Desde o início do dia, centenas de pessoas formavam fila aguardando bater 9h (horário local, 12h de Brasília) para homenagear o líder cubano no emblemático cenário onde ele fez a maior parte dos seus longos discursos. Na mesma hora em que começava a homenagem na praça, foram disparados, simultaneamente em Havana e Santiago de Cuba, 21 tiros de canhão.

O governo habilitou acessos diferentes para agilizar a entrada do público e três pontos de homenagem iguais. Todos tinham grande foto de Fidel de corpo inteiro, olhando para o horizonte e vestindo seu icônico uniforme. Também havia duas coroas de flores, uma do Partido Comunista de Cuba e outra em nome dos cubanos, assim como uma vitrine com as principais condecorações de Fidel. Ao lado das homenagens estão guardas de honra, membros do batalhão de cerimônias das Forças Armadas Revolucionárias e representantes do Conselho de Estado.

Para agilizar o velório no Memorial%2C foram montados três salões iguais com fotos e medalhasEfe

Emoção

No Memorial, as pessoas transitam demonstrando o que sentem. Algumas mulheres jogam beijos com a mão, muitos secam as lágrimas com lenços, e alguns não conseguem evitar os soluços, que ecoam acima dos sussurros e do som das câmaras fotográficas no tom solene que permeia este ato.

“Estou com ele até o meu último suspiro”, disse Raúl Pérez, de 72 anos, enquanto estava em uma multidão debaixo do sol. “Vamos acompanhar Fidel sob sol e chuva”, afirmou.  Os cubanos mais jovens falaram de mudança após as recentes e breves aberturas sob o comando de Raúl Castro. A maioria dos dissidentes ficou em casa com a morte de Fidel, mas alguns disseram que o governo poderia ser abalado com a morte do líder cubano.

“Eles entendem que a revolução foi baseada em uma pessoa que acabou de morrer. Então a revolução terá que ser reinventada”, disse o dissidente Guillermo Fariñas.

Homenagem ridicularizada

Um grupo de jovens pisou nas flores e cartazes que foram deixados em frente à embaixada de Cuba em Brasília em homenagem a Fidel Castro. O incidente ocorreu durante a noite de domingo e está sendo investigado pela polícia do Distrito Federal, com base em imagens tomadas por câmeras de segurança, que serão analisadas para tentar identificar os responsáveis. As flores já foram repostas.

Seis jovens que circulavam em dois automóveis pararam em frente à embaixada e destruíram as homenagens. No Facebook, perfis atribuídos a integrantes do Movimento Brasil Livre comemoravam a ação. “Vim aqui rir um pouquinho dos idiotas úteis que foram homenagear Fidel Castro”, escreveu uma.

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