Com abstenção dos EUA, ONU exige que Israel pare de construir colônias

Integrantes de cada país-membro aplaudiram a resolução. Trump garantiu que 'as coisas vão mudar' depois que ele assumir o cargo em 20 de janeiro

Por O Dia

Israel - Em decisão histórica, com abstenção dos Estados Unidos, o Conselho de Segurança da ONU exigiu nesta sexta-feira que cheguem ao fim os assentamentos de Israel em território palestino. Washington não usou seu direito de veto para apoiar seu grande aliado no Oriente Médio e evitar sua condenação, provocando assim uma turbulência nunca antes vista na relação entre os dois países. 

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que tentou, sem sucesso, barrar uma condenação à política de assentamentos de Israel na ONU, garantiu que as coisas vão mudar quando ele assumir o cargo.

"Sobre a ONU, as coisas serão diferentes após 20 de janeiro", disse o republicano, citando a data que em tomará posse, em mensagem divulgada pelo Twitter. 

Estados Unidos se abstiveram de veto em Conselho da ONU e medida contra assentamentos de Israel passouEFE

Com a abstenção, a medida passou, com os votos a favor dos 14 membros restantes do Conselho. Os integrantes de cada país-membro aplaudiram a resolução.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, classificou nesta sexta como uma "forte bofetada" a resolução. "Esta é uma mensagem clara da comunidade internacional que, independentemente do que o governo de Israel faça, as colônias no território ocupado são ilegais", afirmou Erekat.

"Explicações"

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, explicou nesta sexta-feira que o país se absteve de vetar a polêmica resolução que condena os assentamentos de Israel no território ocupado da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental porque o texto também critica a violência do lado palestino. "Embora não estejamos de acordo com todos os aspectos desta resolução, ela condena corretamente a violência, a incitação e os assentamentos, e chama as duas partes a dar passos construtivos para reverter as tendências atuais e avançar rumo à solução de dois Estados", disse Kerry em comunicado.

Um alto funcionário do Departamento de Estado, que pediu anonimato, disse que a abstenção ocorreu porque a resolução trata das colônias judaicas em território ocupado e também da violência cometida pelos palestinos na região. "Ela (a resolução) não é sobre os assentamentos. Também pede que os líderes palestinos condenem o terrorismo e a incitação à violência", indicou o funcionário. Os EUA consideram que Israel não atendeu aos repetidos avisos de que os assentamentos aumentariam o isolamento israelense na comunidade internacional.

Além disso, critica a postura do primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, que não aceita dialogar sobre a política de colônias nas negociações. "Vivemos preocupados que os assentamentos estejam se expandindo e, nesse contexto, não podemos com a consciência tranquila vetar uma resolução que expressa exatamente isso", completou. A resolução aprovada hoje na ONU é a primeira do Conselho de Segurança sobre o conflito desde 2009 e ocorre em um momento no qual o processo de paz está totalmente bloqueado.

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