Por clarissa.sardenberg

Iraque - A história de amor entre o tradutor do exército americano Nayyef Hrebid e o soldado iraquiano Btoo Allami ocorreu em um ambiente tão "improvável" que está em pré-estreia no cinema dos Estados Unidos. O casal se conheceu no ápice da guerra do Iraque, entre bombas e explosões, e teve que enfrentar diversos preconceitos dentro do militarismo e perigos no Oriente Médio. "Fora do Iraque" foi premiado no Festiva de Cinema de Los Angeles, no último ano.

"Eu estava em Ramadi, na pior base que havia na época", contou Nayyef à "BBC". "Nós saímos para patrulhar e diversos morriam por bombas e atiradores. Eu pensava comigo mesmo: 'O que estou fazendo aqui?'". No entanto, quando conheceu Btoo as coisas mudaram: "Nunca imaginei que fosse encontrar o amor nesse lugar [Iraque], mas quando eu o encontrei, pensei 'aqui é o céu para mim'".

Soldados se apaixonaram no auge da guerra no Iraque Reprodução Internet

Na época, os dois precisavam esconder que eram gays como forma de proteção. "No Iraque, ser gay é algo muito errado, que leva vergonha à sua família. Você pode, inclusive, ser morto e por isso eu era muito cuidadoso", disse.

"Contei ao meu capitão americano sobre Btoo e ele me ajudou a levá-lo para o acampamento americano por algumas noites", disse Nayyef. Depois que descobriram sobre o relacionamento do tradutor, apesar de extremamente discreto, muitos soldados pararam de falar com ele e um de seus "amigos" o agrediu com um pedaço de pau, chegando a quebrar seu braço.

Em 2009, Nayyef conseguiu asilo nos Estados Unidos, mas o namorado não e a luta para viverem juntos em uma sociedade mais justa foi a base para o filme da World of Wonder, produtora conhecida por fazer o show RuPaul's Drag Race.

Com medo, Btoo acabou fugindo para o Líbano e após diversos pedidos de refúgio conseguiu ser recebido no Canadá em 2013. Os dois se casaram em 2014 e em fevereiro do ano seguinte o tradutor conseguiu o visto para que ele fosse morar nos Estados Unidos.

Atualmente, o casal vive em Seattle e Btoo, de acordo com o departamento de cidadania dos EUA, o Btoo deve virar um cidadão ameriano no próximo ano. "Nós não temos que nos esconder. Posso segurar a mão dele na rua. Antes vivíamos sem esperança, mas agora nos sentimos como uma família. Estamos vivendo um sonho. Somos livres", falou Nayyef.


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