Novo pedido de prisão em caso Odebrecht mira ex-presidente do Peru

Alejandro Toledo é acusado de receber US$ 20 milhões da empreiteira em esquema de corrupção. Esposa também é investigada.

Por O Dia

Lima - O ex-presidente do Peru Alejandro Toledo foi alvo na última terça-feira de um segundo pedido de prisão em seu país pelo crime de lavagem de dinheiro nas milionárias compras de imóveis que teria feito com propinas pagas pela Odebrecht, informou o jornal "La República".

Toledo, que ficou no poder entre 2001 e 2006, já tem contra si uma ordem internacional de prisão por 18 meses enquanto é investigado por seu envolvimento no escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira - ele é acusado de ter recebido cerca de US$ 20 milhões da companhia.

O novo pedido, feito pela procuradora Rosana Villar, da Primeira Procuradoria Supraprovincial de Crimes de Lavagem de Dinheiro, também inclui a esposa do ex-presidente, Eliane Karp, e o empresário israelense Josef Maiman, suposto 'testa de ferro' de Toledo, assim como o ex-chefe de segurança de Palacio de Governo, Avraham Dan On.

O ex-presidente do Peru, Alejandro Toledo, é acusado de receber US$ 20 milhões da Odebrecht. Reprodução

A solicitação será avaliada nos próximos dias pelo 16º Tribunal Penal de Lima, a cargo do juiz Abel Concha.

Toledo é investigado desde 2013 por lavagem de dinheiro no Peru devido a aquisições de imóveis feitas no nome de sua sogra, Eva Fernenbug, com dinheiro da empresa Ecoteva, criada na Costa Rica por Maiman.

Segundo o jornal, a procuradora alega que o dinheiro da Ecoteva procede dos pagamentos ilícitos da Odebrecht a Toledo, realizados em contas bancárias de Maiman. O israelense é suspeito de inicialmente transferir os recursos a contas de 'offshores', que depois os repassariam à empresa de origem costa-riquenha, investigada no Peru há quatro anos

O ex-presidente estaria na Califórnia (EUA), onde vive, sem que a Justiça americana aplique a ordem de prisão, apesar de já ter passado mais de um mês desde que ela foi recebida pela Interpol. 

Toledo é a primeira grande figura da política peruana a ser acusada de envolvimento no caso Odebrecht no país. A empreiteira admitiu à Justiça americana ter pagado US$ 29 milhões em propinas a funcionários públicos peruanos entre 2005 e 2014.

Esse período inclui os mandatos presidenciais de Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

Recurso negado

Em fevereiro, o juiz peruano Richard Concepción rejeitou o recurso apresentado pelo advogado do ex-presidente do Peru Alejandro Toledo para revogar o mandado de prisão contra ele por supostamente ter recebido US$ 20 milhões em propinas da construtora Odebrecht. Concepción, titular da primeira sala de investigação do Tribunal Penal Nacional, declarou inadmissível a apelação, argumentando que o recurso não cumpriu com a documentação jurídica correspondente. 

A apelação apresentada pelo advogado de Toledo, Heriberto Benítez, buscava que o juiz retirasse o mandado de prisão emitido na semana passada, onde pedia a prisão provisória do ex-presidente por 18 meses, enquanto a procuradoria continua sua investigação. 

Pedido de deportação

Também em fevereiro, o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, pediu a Donald Trump, que avalie a deportação do ex-presidente peruano Alejandro Toledo, em busca e captura por supostamente ter recebido US$ 20 milhões em subornos, segundo informou a agência oficial "Andina". 

Durante a conversa por telefone, Kuczynski solicitou a Trump que avalie a opção da deportação de Toledo dentro das faculdades que a lei de migração americana outorga ao Departamento de Estado. 


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