Mais de 400 ficam feridos em confronto com a polícia em dia de plebiscito

Informações são do governo da Catalunha. Anteriormente, número era de 337 pessoas machucadas em locais de votação de consulta pública

Por O Dia

Catalunha - O governo da Catalunha fala agora que há 465 feridos por causa de confronto com a polícia e a Guarda Civil, que tentam evitar ao longo de todo o dia o plebiscito sobre a independência da região da Espanha. Mais cedo, o número era de 337 pessoas machucadas. A atuação tem se dado, de acordo com o jornal El País, nos locais de votação da consulta pública, considerada ilegal pelo Tribunal Constitucional. 

Desse total, dois estariam em condições mais graves: um ferido no olho com bala de borracha e outro idoso que sofreu um enfarte antes de uma ação policial para evacuar uma escola onde a votação estava ocorrendo. Balas de borracha não são mais usadas na Catalunha desde 2014, mas o policiamento da região foi reforçado com tropas de outras localidades da Espanha. Fontes da polícia informaram ao periódico que 90 pontos de votação foram fechados ao longo do dia. 

Confronto na Catalunha em plebiscito deixa mais de 400 feridos AFP

?Milhões teriam votado no plebiscito proibido na Catalunha

?O governo regional da Catalunha estimou em "milhões" o número de pessoas que teria votado neste domingo, 1, no plebiscito proibido sobre a secessão da Espanha. A estimativa, que não foi especificada, indica que, apesar da repressão da Guarda Civil e da Polícia Nacional, ordenada por Madri, a votação teria tido grande adesão do público. No sábado, as próprias autoridades catalãs estimavam que se 1 milhão votasse já se trataria de uma vitória da causa independentista.

As informações foram divulgadas por Jordi Turull, porta-voz do presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont. "Tudo nos leva a crer que, pela tendência que contabilizamos nessa noite, poderemos contar aos milhões", afirmou, em uma declaração que revela o caos organizacional em que a votação foi realizada. "Insistimos que todos podem votar e as urnas ficarão abertas até às 20 horas."

Até o final da tarde, no horário local, 73% das 2,3 mil seções eleitorais acabaram abrindo suas portas aos eleitores. Já o governo central estima que pelo menos 336 seções foram fechadas pelas forças de ordem. Uma das queixas dos opositores ao plebiscito é a total falta de controle sobre os eleitores que votaram. A situação gerou suspeitas de que muitos dos independentistas tenham votado várias vezes, aproveitando-se da falta de fiscalização efetiva.

O plebiscito havia sido proibido pelo Tribunal Constitucional da Espanha, que considerava as circunstâncias da votação ilegais. O plebiscito foi realizado pelo governo regional da Catalunha, dominado por militantes da causa independentista. Por contrariar a Constituição espanhola, a votação foi declarada ilegal e foi objeto de repressão das polícias nacionais, enviadas pelo primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy.

Cravos

Ao longo do dia, foram distribuídos cravos nos locais de votação para simbolizar a "liberdade pretendida", numa ação inspirada pelos portugueses, que também distribuíram as flores em "25 de abril" de 1974, quando conquistaram a "Revolução dos Cravos". 

Catalães reportaram à imprensa local que manter a região ligada à Espanha é uma forma de repressão como a dos tempos do ditador Francisco Franco e que a pressão inclui a falta de respeito pela língua e cultura local.

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