Clima ameaça café e vinho

Nove em cada dez cafezais podem sumir, e produção de vinículas cai a nível histórico

Por O Dia

Paris - Mudanças climáticas ameaçam áreas de cultivo de café na América Latina e reduziram a produção de vinho na Europa ao mínimo histórico este ano. Estudo de pesquisadores latinos projetou que o aumento da temperatura e as mudanças no regime de chuvas afetaria até 88% das terras aptas para a produção do grão. No Velho Mundo, vinícolas registraram queda recorde de 14% em relação a 2016.

Cafezal em El Salvador%3A América Central perderá áreas cultiváveisAFP

"Em relação ao café, o que vai acontecer é uma redução das áreas aptas para o cultivo pela redução de chuvas e pelo aumento da temperatura", explicou Emily Fung, pesquisadora do Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino, na Costa Rica. A especialista explicou que "essas regiões não vão sumir, mas serão menos aptas para a produção".

O Centro Internacional de Agricultura Tropical da Colômbia participou do estudo, que usa cenários futuros de mudança climática para criar modelos de como ficarão as zonas adequadas para cultivo de café arábica, o mais fino entre as variedades do grão, e que requer zonas de altura e clima temperado. Honduras e Nicarágua sofreriam mais com a perda de áreas cultiváveis. As mudanças poderiam ter impacto social significativo, já que 80% do café da América Latina vem de pequenos produtores. O Brasil ainda lidera.

Itália despenca

Quanto ao vinho, segundo a organização pública francesa FranceAgriMer, que toma como base números da Comissão Europeia, o retrocesso se explica pela crise nos três países que mais produzem: Itália (-21%), França (-19%) e Espanha (-15%). A Comissão estima em 145 bilhões de litros a produção de 2017 nos 28 países da União Europeia.

Na Espanha, "assim como na França, quando a colheita é menor, a qualidade em geral é melhor", o que faz com que os especialistas aguardem safra de "alta qualidade", contou José Luis Benítez, diretor-geral da Federação Espanhola de Vinho. Na região de Ribera del Duero, a produção caiu cerca de 50% e em La Rioja, 25%.

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