Mais de 60 mil brasileiros terão câncer de próstata até dezembro

Prevenção ainda é o melhor remédio e campanha Novembro Azul vai durar o ano inteiro

Por O Dia

Rafael Zulu%2C ator da nova novela das 21he destaque do Domingão do Faustão%2C diz que campanha ajuda a 'desconstruir tabu do toque'Divulgação

Rio - Até dezembro, o câncer de próstata terá atingido 61,2 mil brasileiros, conforme projeção da Sociedade Brasileira de Urologia. No país, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), mais de 13,7 mil mortes pela enfermidade são registradas por ano um óbito a cada 38 minutos. Para conscientizar a sociedade, uma nova versão da campanha Novembro Azul, do Instituto Lado a Lado pela Vida, abordará o tema o ano inteiro.

Com apoio do Ministério da Saúde, o 'De novembro a novembro azul - movimento permanente pela saúde integral do homem' enfatiza dados do Inca, que lançou, recentemente, a cartilha 'Vamos falar sobre isso?'(disponível no site www.inca.gov.br), mostrando que, com 28,6% do total de casos, o câncer de próstata já é o que mais ataca o sexo masculino, excetuando-se o de pele não melanoma. A iniciativa conta com apoio de artistas, como Rafael Zulu, destaque na 'Dança dos Famosos' do Domingão do Faustão, e que vive Cido, na nova novela 'O outro lado do paraíso'.

"Esse tipo de campanha é muito importante para desconstruir o tabu do exame de próstata. Muitos homens morrem por falta de informação. Procure seu médico. Prevenção é o melhor caminho", aconselhou Zulu, lembrando que o check-up da próstata é indicado a todos os homens, a partir dos 45 anos.

A importância de se prevenir a enfermidade foi discutida nos últimos três dias, no 31º Congresso Brasileiro de Medicina Nuclear, em Florianópolis (SC), com a participação de 600 especialistas.

Apesar dos avanços terapêuticos, rastreamento da doença e novos medicamentos e tecnologias, cerca de 20% dos pacientes ainda morrem por diagnósticos tardios. "Ou seja, por causa de preconceito ao exame de toque retal", lamentou o oncologista Fernando Almeida, da Clínica Oncocentro.

O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear, Juliano Cerci, consultor da Agência Internacional de Energia Atômica da Organização das Nações Unidas (ONU), concorda. Ele diz que a medicina nuclear é uma das especialidades que mais revolucionaram, em relação a diagnóstico e tratamento em dez anos. Tanto que 20 profissionais estrangeiros vieram ao congresso para conhecer os avanços brasileiros.

Palácio do Itamaraty foi um dos pontos iluminados na cor azul em apoio à campanha de alerta para a prevençãoValter Campanato/Agência Brasil

"Graças ao elemento radioativo, consegue-se 'enxergar' células cancerígenas com mais precisão, identificando metástases que passariam despercebidas por outros métodos. Isso dá mais confiabilidade de intervenções às áreas lesionadas, evitando procedimentos invasivos desnecessários e dolorosos", justificou Cerci.

Já o uso do medicamento rádio fármaco Radio-223, aprovado pela Agência Nacional de Saúde (ANS) em 2015, auxilia pacientes com câncer de próstata resistente à castração com metástase óssea, elevando a sobrevida a mais 14 meses. Mas tratamentos pela medicina nuclear, que podem chegar a R$ 130 mil (custo de uma quimioterapia convencional), ainda não são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), onde 70% dos pacientes buscam socorro. Hoje os planos de saúde são obrigados a cobri-los. "É preciso mais conscientização dos homens e campanhas mais duradouras do governo federal. São mais baratas e eficazes", detalhou Juliano.

Diagnóstico precoce pode evitar sofrimento desnecessário e morte do paciente

Os médicos advertem que lidar com o câncer de próstata não é simples, mas é possível o paciente viver bem e com qualidade de vida quando se conhece e se entende melhor a doença.

"A enfermidade é uma das que mais prevalecem no mundo e, justamente por isso, é fundamental descobri-la o quanto antes. Com o diagnóstico precoce, nós podemos seguir com tratamentos menos invasivos, mais simples e de menor custo, ou mesmo, em muitas situações, apenas observar a doença sem a necessidade de terapia por alguns anos", explicou o oncologista clínico, Arthur Maia Gomes Filho, do Hospital Israelita Albert Einstein.

O grau de manifestação varia entre leve e muito agressivo. Em alguns casos, a patologia pode demorar anos para se desenvolver. Em outros, pode evoluir rapidamente. "Ela se manifesta de maneira diferente em cada indivíduo", alertou o especialista.

A doença pode levar a óbito em meses ou nunca trazer problemas. Nas ocorrências mais leves, faz-se o acompanhamento com exames ou cuidados locais, como radioterapia e cirurgia com bloqueio ou não da testosterona para regressão do câncer. Tudo tem que ser avaliado caso a caso. A quimioterapia não necessariamente será realizada em todo paciente. Esse procedimento é indicado para tumores mais agressivos.

Fique atento

?Ações

Programações em www.ladoaladopelavida.org.br vão chamar atenção para o debate sobre câncer de próstata. Haverá palestras, rodas de conversas, corridas, caminhadas e prédios iluminados de azul.

Cura

Se o câncer de próstata for detectado no início, com exames de sangue PSA e toque retal, a partir dos 50 anos, ou dos 40 para quem tem histórico familiar, há cura em mais de 90% dos casos.

Riscos

Fatores: idade (62% são de homens a partir dos 65 anos); histórico familiar; raça (maior incidência entre os negros); alimentação inadequada, deficiente em frutas, verduras, legumes e grãos; sedentarismo e obesidade.

Sintomas

Na fase inicial não há sintoma. Por isso a importância dos exames. Na avançada, há vontade de urinar urgente, dificuldade para urinar, levantar várias vezes à noite para ir ao banheiro, dor óssea, queda do estado geral, insuficiência renal e dores fortes.

Próstata

É uma glândula localizada na frente do reto, abaixo da bexiga, envolvendo a parte superior da uretra. Não é responsável pela ereção nem pelo orgasmo. Ela produz líquido que compõe parte do sêmen, que nutre e protege os espermatozoides.

Câncer

As células se multiplicam a vida toda. Mas pode acontecer o crescimento descontrolado delas, formando tumores, que podem virar câncer.

Colaborou Fábia Oliveira