Israel - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump reconheceu nesta quarta-feira "oficialmente Jerusalém como a capital de Israel", rompendo com décadas de diplomacia americana e internacional. Para isto, o líder norte-americano pediu a transferência da embaixada do país de Tel-Aviv para Jerusalém.
A mudança implica no reconhecimento da cidade como capital de Israel, o que é rejeitado pelo mundo islâmico, que tem na cidade diversos locais sagrados.
No discurso, Trump reforçou que o posicionamento não significa que ele esteja tomando partido de algum dos lados do conflito Israel-Palestina. "Vou fazer tudo o que estiver em meu poder para ajudar em um acordo em Israel. Nos mantemos profundamente comprometidos em conseguir a paz entre os dois lados", disse o presidente.
Com isso, o presidente dos Estados Unidos também reivindicou "uma nova abordagem" sobre o conflito entre Israel e palestinos, prometendo que fará todo o possível para um acordo de paz.
A construção da nova embaixada começará o quanto antes, segundo Trump, e contará com "o trabalho de arquitetos e engenheiros para tornar o prédio um monumento pela paz".
O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel havia sido aprovado pelo Congresso americano em 1995, mas nunca chegou a ser colocado em prática. O texto dá ao presidente americano o poder de adiar a decisão a cada seis meses, sob o argumento de que ela representa uma ameaça à segurança dos EUA.
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Desde a aprovação da medida, todos os ocupantes da Casa Branca enviaram comunicado ao Congresso explicando tal adiamento. Em maio, no primeiro vencimento do prazo em seu mandato, Trump fez o mesmo. O novo período de seis meses acabou na segunda-feira, sem que o presidente enviasse a comunicação ao Congresso.
Repercussão
O secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou a decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel nesta quarta-feira, advertindo que o status da cidade deve ser resolvido através de negociações diretas israelenses-palestinas.
"Desde o primeiro dia como secretário-geral das Nações Unidas, falo consistentemente contra medidas unilaterais que põem em perigo a perspectiva de paz para israelenses e palestinos", disse Guterres, imediatamente após o anúncio do líder norte-americano.
Já o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erakat, declarou que Trump, "destruiu" a chamada solução de dois Estados ao anunciar o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.
Trump também "privou os Estados Unidos de qualquer papel" no processo de paz entre israelenses e palestinos, acrescentou Erakat à imprensa.
Com informações da AFP e Estadão Conteúdo