Huawei investe em novas parcerias no Brasil

Depois de se consolidar nas teles, a chinesa começa a investir no mercado corporativo

Por O Dia

Durante muito tempo, a China ficou conhecida no mercado como um polo de fabricação terceirizada de produtos eletrônicos para as grandes companhias de tecnologia. Sob um forte impulso do governo local, essa imagem pouco a pouco vem mudando e algumas empresas chinesas começam a despontar como protagonistas.

A Huawei é um dos exemplos desse novo cenário. Depois de se consolidar como um dos principais fornecedores mundiais de equipamentos de rede para as operadoras de telecomunicações, a empresa está abrindo novas frentes para sustentar sua expansão. Criada no início de 2012, a unidade de negócios enterprise é um dos caminhos escolhidos para atingir esse objetivo.

"Hoje, o setor de enterprise é visto juntamente com a divisão de consumo - de smartphones e tablets - como o grande motor que vai alavancar as receitas da empresa nos próximos anos", diz Francisco Menezes, diretor de enterprise da Huawei no Brasil. " A expectativa da matriz é de que nos próximos cinco anos, o segmento tenha um crescimento anual de 50%", afirma.

A ideia da divisão é estender as ofertas que ajudaram a Huawei a desbravar o mercado de telecom para outros segmentos empresariais. Dentro dessa abordagem, a companhia está investindo em um portfólio amplo, que reúne equipamentos e sistemas da marca distribuídos em campos como infraestrutura e segurança de rede, data center, computação em nuvem, e colaboração e comunicação unificada, vertente que inclui soluções de telepresença e videoconferência, entre outros recursos.

Segundo Menezes, o Brasil é um dos países-chave na visão da matriz para ganhar tração nesse novo caminho. E nesse contexto, os setores de governo, finanças, grandes corporações e transportes são os mais promissores no país. Com um modelo 100% baseado em vendas indiretas em todas as suas linhas de negócios, a construção de um novo ecossistema de parceiros para se aproximar de mercados com os quais ainda não mantém um relacionamento próximo é um das três prioridades para impulsionar os negócios da divisão no Brasil.

Como reflexo dessa abordagem, a Huawei fechou 2013 com 100 canais ativos no Brasil. Além de parceiros com forte atuação no Distrito Federal - para atender ao Governo - e em regiões como Sul, Norte e Nordeste, a prioridade da empresa é estabelecer acordo com integradores com cobertura nacional.

"Como temos ofertas de ponta a ponta, para pequenas, médias e grandes empresas, precisamos de uma estrutura de parcerias para preencher todas essas frentes. Em cinco anos, nossa meta é chegar a 500 canais ativos", observa o executivo.

Empresa se vê como startup de US$ 39 bilhões de faturamento

A inovação é mais um pilar da estratégia. Em 2013, a Huawei investiu US$ 5,4 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, um dos esforços nessa direção é a aproximação dos clientes com o time local de 100 engenheiros, que por sua vez, está conectado às outras equipes globais de inovação da empresa. A proposta é acelerar e garantir maior assertividade no desenvolvimento de soluções que podem ser aplicadas aos segmentos em foco no mercado brasileiro.

"Hoje, somos uma startup de US$ 39 bilhões de faturamento. Essa é a nossa grande força. Temos 70 mil engenheiros de pesquisa e desenvolvimento trabalhando para uma divisão que tem dois anos de idade", afirma Menezes.

As ações para divulgar a marca junto ao novo perfil de clientes complementam os esforços no país. Nessa direção, a Huawei está priorizando os investimentos em marketing direto e a participação em congressos setoriais e eventos realizados por seus parceiros.

"É uma lacuna que ainda temos. Nossa marca é muito forte entre as operadoras, mas precisamos construir nossa imagem nesses novos mercados e mostrar efetivamente o que temos para oferecer", diz o executivo.

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