Por douglas.nunes

A combinação entre privatização, eventos esportivos e demanda aquecida por transporte aéreo atrai para o Brasil empresas estrangeiras de tecnologia focadas em segurança aeroportuária. Dentro do seu processo de modernização, o Aeroporto Internacional de Guarulhos vai instalar mais 600 câmeras de segurança, reforçar controles de acesso e adotar um sistema integrado de gestão das facilidades prediais (escadas rolantes e esteiras, entre outras). As mudanças fazem parte de um pacote maior de investimentos estimado em R$ 5,7 bilhões, que abrange inclusive obras prediais.

Com contratos já assinados com a americana Tyco, a concessionária que administra Guarulhos ampliará de 900 para 1.500 o total de câmeras de segurança instaladas no aeroporto, cobrindo inclusive a área de estacionamento. "Não são apenas novas câmeras, mas também um software que faz uma pré-análise e, se for necessário, alerta o operador. Não é possível para o olho humano acompanhar tantas telas ao mesmo tempo", explica Luiz Ritzmann, diretor de Tecnologia da Informação do Aeroporto Internacional de Guarulhos.

A Tyco também foi contratada para reforçar o controle de acesso às áreas internas de Guarulhos. Serão utilizadas três formas de controle, combinadas de acordo com o nível de segurança exigido: crachá, senha e leitura biométrica. O aeroporto também contará com uma plataforma integrada para gerir - via software - escadas rolantes, elevadores e esteiras, além de informações provenientes do alarme de incêndio e do sistema de controle de acesso. As mudanças começarão pelo Terminal 2 e estarão presentes também no de número 3, que tem inauguração prevista para 11 de maio.

Em caráter experimental, o aeroporto implantou um sistema de de leitura por código de barra tridimensional, utilizado em postos de embarque automatizados. O projeto-piloto, instalado pela americana Arinc, permite a leitura automática do cartão de embarque e do passaporte de passageiros brasileiros em viagem internacional.

Atenta à expansão do mercado brasileiro, a britânica Quadratica UK se associou à brasileira Radiend para prospectar oportunidades na área de segurança aeroportuária. A Quadratica produz software para treinamento de operadores de aparelhos de raio-X usados na área de segurança. Entre seus clientes estão aeroportos, prisões, hospitais e usinas nucleares. "O operador de segurança deve ser capaz de analisar, em média,uma pessoa e sua bagagem em cinco segundos. Se não estiver bem treinado e não tiver confiança, certamente vai falhar em atingir essa meta", argumenta Chris Grey, diretor da Quadratica UK que esteve no país como parte de uma missão comercial organizada pelo consulado britânico do Rio de Janeiro. Diretor de Projetos da Radiend, Mauro Otto informa que, com a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016, cresceu o interesse das empresas por soluções de segurança. "As negociações estão bastante avançadas, especialmente com um dos maiores aeroportos brasileiros", diz.

A empresa israelense de software NICE Systems, que tem entre seus clientes os aeroportos americanos de Miami e Denver, já tem contratos fechados no Brasil. A companhia não trabalha apenas com segurança aeroportuária. Sua especialidade é análise de big data. A partir do cruzamento de dados de câmeras, sensores, sistemas de rádio e radar e até de redes sociais, o software gera alertas para operadores. "Um aeroporto é um ambiente complexo. Trabalhamos com um conceito de software que permite ao aeroporto gerenciar incidentes antes que ele aconteçam, durante e depois", explica Moti Shabtai, vice-presidente da Divisão de Segurança para América Latina da NICE Systems.

Nos aeroportos administrados pela Infraero, no período de 2012 a 2014, serão investidos R$ 48 milhões na área de segurança. Entre os principais itens estão a aquisição de 180 equipamentos de raios-x para inspeção de bagagem de mão, a compra de 13 aparelhos de raios-x para inspeção de carga e 45 novos detectores de traços de explosivos e narcóticos. Além disso, está em andamento uma licitação para compra de 200 equipamentos detectores de metais do tipo pórtico e está prevista, ainda, licitação para a aquisição de 20 novos equipamentos de raios-x móvel para bagagem despachada.

Ainda de acordo com a Infraero, diversas empresas nacionais e internacionais têm participado ativamente dos processos licitatórios na área de segurança. A Infraero informou que adquire os equipamentos de segurança com base nos parâmetros de detecção estabelecidos pelo órgão regulador, no caso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O aumento da procura por equipamentos e serviços de segurança em aeroportos segue, além da natural tendência de modernização, vinda com a concessão por consórcios, a própria demanda do setor aéreo. O crescimento do setor no país prevê, até 2020, um fluxo de 211 milhões de passageiros pelos aeroportos em todo o Brasil, circulando em 976 aeronaves, segundo um estudo da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Melhorias operacionais no aeroporto de Guarulhos

Câmeras

O total atual de 900 câmeras de segurança instaladas no aeroporto será ampliado para 1.500, cobrindo inclusive o estacionamento.

Gestão das facilidades prediais

Um software vai controlar de forma integrada o funcionamento de escadas rolantes, elevadores e esteiras. Isso vai permitir, por exemplo, que o sentido de uma escada rolante seja invertido automaticamente para facilitar a saída de passageiros de uma determinada área.

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