MMX encolhe para sobreviver

Dificuldades financeiras levaram mineradora a vender ativos e a reestruturar operações

Por O Dia

A MMX, mineradora de Eike Batista, terminou o ano passado esvaziada, com boa parte de seus projetos paralisados e um prejuízo líquido de R$ 2,06 bilhões - 160% superior às perdas registradas em 2012. O patrimônio líquido da empresa - diferença entre o total de ativos da companhia e suas dívidas de curto e longo prazo - encolheu de R$ 2,44 bilhões para R$ 1,39 bilhão no período. Além de vender ativos no Chile e suspender as operações no Mato Grosso do Sul, a companhia foi obrigada a interromper e rever a expansão de sua principal unidade, Serra Azul, em Minas Gerais.

O plano original de produzir até 29 milhões de toneladas por ano de minério de ferro foi readequado para um patamar de 15 milhões de toneladas. A MMX ainda aguarda a entrada de um novo parceiro com recursos suficientes para desenvolver o projeto de expansão. No ano passado, sua produção total caiu 20% em relação a 2012, chegando ao patamar de 5,9 milhões de toneladas de minério. A queda foi consequência direta da menor produção da MMX Corumbá, no Mato Grosso do Sul, ao longo do primeiro semestre e da paralisação desta unidade em julho de 2013. Em 2012, a MMX Corumbá produziu cerca de 1,4 milhão de toneladas de minério de ferro. "O projeto não representa bom portfólio para a empresa, devido a sua produção mínima", afirmou Carlos Gonzalez, CEO e diretor de Relações com Investidores da MMX, em teleconferência com analistas de mercado realizada ontem. Corumbá está à venda, assim como a unidade de Bom Sucesso, que em conjunto com Serra Azul forma o Sistema Sudeste. "A companhia não tem no momento nenhum interesse no desenvolvimento de Bom Sucesso, que pode ser vendida separadamente ou em conjunto com outro ativo", esclareceu Gonzalez.

Como parte da reestruturação da empresa, as operações da MMX no Chile foram vendidas para a Inversiones Cooper Mining S.A. Relatório do BB Investimentos divulgado ontem ressalta que, "apesar do impacto contábil em 2013 de perda referente aos ativos do Chile, já vendidos, e da unidade Corumbá, cuja venda está em andamento, a nova estratégia deixa o balanço da MMX um pouco mais ‘limpo' até que a companhia possa colher os frutos dessa nova estrutura". Mesmo com o recuo na produção (-20%) e nas vendas (-4%) ante 2012, o maior volume de exportações feitas pela MMX elevou o preço médio praticado, o que resultou num aumento de 29% na receita líquida, na comparação ano a ano.

"Contaminados pela crise do Grupo EBX, linhas de crédito já aprovadas foram suspensas, assim como renovações foram negadas, o que comprometeu seriamente a saúde financeira da companhia", reconheceu Gonzalez, no relatório de resultados da MMX. "Diante desse cenário, fomos obrigados a ser rápidos na revisão de estratégias e na adoção de medidas, muitas vezes dolorosas, buscando a preservação do caixa e solvência financeira da companhia."

Comemorada como uma vitória, a venda de uma participação de 65% no capital da MMX Porto Sudeste, adquirida por um consórcio formado por Trafigura e Mubadala, significou uma redução drástica no endividamento da mineradora. "No primeiro trimestre deste ano, a empresa passa praticamente a não ter mais dívida bancária. Nosso endividamento hoje está na casa de R$ 80 milhões", explicou o diretor presidente da companhia. Em novembro do ano passado, ainda dentro da revisão do plano de negócios da mineradora, foram anunciados os impairments (perdas por desvalorização do ativo) dos projetos de Serra Azul e Bom Sucesso, num total de R$ 913 milhões em impactos negativos que afetaram o resultado da MMX no ano passado.

"As expectativas agora estão na definição do parceiro estratégico, seja através da venda de ações do controlador na companhia, ou da participação de forma isolada de uma participação na unidade Serra Azul", conclui a análise do BB Investimentos.

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