A Siemens AG propôs à rival francesa Alstom SA um acordo de troca de ativos ferroviários e energéticos para superar uma oferta da General Electric Co., segundo fontes com conhecimento do assunto.
Sob o plano, a Alstom obteria alguns dos ativos de transportes da Siemens e um pagamento adicional em dinheiro em troca de sua empresa de energia, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque o assunto não é público. A Siemens está disposta a igualar ou superar os termos financeiros da oferta contratual da GE, que avalia a Alstom em US$ 13 bilhões, e dar garantias de empregos, posições de gestão e localizações, disseram as fontes.
Para defender a oferta da GE, o CEO Jeffrey Immelt se reunirá hoje com o presidente francês, François Hollande, e com o ministro da Indústria, Arnaud Montebourg. A Alstom, cujo conselho se reuniu ontem para examinar ambas as ofertas, disse que seguirá avaliando suas opções e que fará um anúncio até a manhã de 30 de abril.
Um acordo entre Siemens e Alstom criaria duas entidades europeias líderes nos setores energético e ferroviário e ajudaria a responder às preocupações do governo francês quanto a potenciais cortes de empregos relacionados à proposta da GE. Uma união da Alstom com a GE provavelmente teria menos sobreposição de força de trabalho e produtos do que a oferta alemã e enfrentaria menos oposição dos órgãos reguladores europeus.
A direção da Alstom atualmente está inclinada a aceitar a oferta da GE, que compreende a compra pela empresa americana de seus ativos de energia, responsável por mais de 70% de suas vendas, disseram as fontes. O governo francês atualmente prefere o plano da Siemens, disseram duas das fontes.
Herança industrial
A Alstom é de importância estratégica para a França e o governo quer examinar todas as opções, disse Montebourg. Ele disse que a proposta da Siemens tornaria a empresa alemã líder em energia e a Alstom, líder em transporte. Alstom e Siemens fabricam trens de alta velocidade, que operam com as marcas TGV e ICE, respectivamente.
Embora não possua participação direta na Alstom, o governo francês está empenhado em preservar uma companhia com um valor de mercado de € 8,3 bilhões (US$ 11,5 bilhões) que é considerada uma joia da coroa depois que o governo a salvou da falência, uma década atrás.
O governo está pronto para “preservar o interesse da base industrial da França”, disse Montebourg. E o presidente Hollande disse ontem que se reunirá com Montebourg, com o primeiro-ministro, Manuel Valls, e com a ministra de Energia, Ségolène Royal, para discutir a situação.
Economia em recuperação
A Siemens disse ontem que está disposta a discutir “oportunidades estratégicas” com a Alstom como uma alternativa a um negócio com a GE e preferiu não fazer mais comentários. A Siemens também estudaria uma aquisição sem trocas dos ativos de energia da Alstom comparável com a proposta da GE, disse uma das fontes. GE e Alstom preferiram não comentar o assunto.
Com uma troca de ativos, a Alstom acabaria ficando com a empresa ferroviária da Siemens, que está em dificuldades. O lucro da empresa de transporte da Siemens, que está avaliada em US$ 6 bilhões, foi prejudicado por um montante de €356 milhões em custos relacionados a entregas atrasadas de trens na Alemanha desde 2011.
Revisão da Siemens
O momento de um potencial negócio coincide com o ponto culminante de uma revisão de estratégia da Siemens pelo CEO Joe Kaeser. A empresa de 167 anos de idade, que usa os lucros de suas concorrentes como referência, há pelo menos 24 anos perde para a GE em lucratividade, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Kaeser apresentará os resultados de sua avaliação em 7 de maio. A Siemens tem enfrentado críticas de analistas e investidores pelo pesado escopo de suas 60 unidades de negócios e Kaeser disse que planeja focar os negócios da empresa “juntamente com a cadeia de valor de eletrificação”.