Por parroyo

O frigorífico JBS é líder mundial no setor e há anos pauta o desempenho do mercado brasileiro. Há dois meses, a preocupação da empresa era com a polêmica gerada pela contratação do cantor Roberto Carlos, vegetariano, como garoto-propaganda dos seus produtos. Hoje, contudo, as atenções se voltam ao frigorífico por razões mais complexas e repercussões mais extensas. Está previsto para esta sexta-feira a divulgação do laudo técnico do laboratório de referência internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) que irá identificar ou não a presença da chamada doença da vaca louca em suas carnes. Se comprovada a suspeita, não só a JBS, mas todos os produtores nacionais e também demais frigoríficos serão alvo de restrições no mercado internacional, para a alegria da concorrência externa.

Partiu da própria JBS a comunicação oficial, na última terça-feira, da possível existência da contaminação em um boi de uma unidade da empresa no Mato Grosso. O resultado pode abalar seriamente o império da JBS e de toda a cadeia exportadora de carnes, que tem no Brasil o maior player mundial.

Com patrimônio de R$ 9,29 bilhões, segundo relatório financeiro de 2013, a JBS vem crescendo de forma vertiginosa desde que se abriu ao mercado de capitais e passou a negociar suas ações na bolsa de valores em 2007. De lá para cá, a companhia aumentou em seis vez sua receita líquida anual.

A empresa também é uma das chamadas “queridinhas” do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, desde 2007, já colocou mais de R$ 13 bilhões na companhia, de quem também é acionista.
Na seara política, o frigorífico tem seu nome atrelado à campanha de 2010 da presidenta Dilma Rousseff, figurando como a principal financiadora, com R$ 9 milhões diretamente à então candidata e mais R$ 3 milhões para o seu partido, o PT, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“É um conglomerado que tem peso grande em relação à produção nacional e faturamento do setor. Líder mundial, responde por cerca de 25% dos animais abatidos no país com participação nas principais pontas do mercado”, avalia o economista Sérgio De Zen, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, que cita ainda os estragos sobre o mercado de trabalho decorrente de uma possível confirmação da doença. “A pecuária de corte emprega 1,5 milhão de pessoas no Brasil”.

Assim que foi acionado pela JBS, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)contactou o sistema de defesa animal para averiguar o caso. O Ministério diz que as investigações de campo indicam tratar-se de uma única suspeita de caso atípico — não relacionada à ingestão de alimentos contaminados e, por isso, de menor risco —, já que o animal foi criado exclusivamente em sistema extensivo e abatido em idade avançada, com cerca de 12 anos. No entanto, apenas o resultado da análise da amostra enviada ao OIE, em Weybridge, na Inglaterra, será capaz de confirmar a suspeita.

“Se ficar confirmado que é um caso atípico, não devemos ter embargos sobre à carne brasileira”, avalia José Carlos Hausknecht, diretor da consultoria MB Agro, na torcida pelo melhor resultado — para o Brasil.

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