Por douglas.nunes

Conteúdo, esse é o segredo do sucesso da agência de publicidade Pereira&O’Dell (POD) nos Estados Unidos, segundo um de seus sócios, o brasileiro PJ Pereira, de 40 anos. A empresa tem escritórios em São Francisco e Nova York. Carioca e formado em administração pela PUC, antes de fundar a agência, PJ vivia mergulhado na publicidade para o mundo digital.
“Mas eu sabia que ser 100% digital não duraria muito tempo, pois o mundo caminha para que o digital não seja tudo, mas parte de tudo. Na minha cabeça, conteúdo é qualquer coisa que faça o consumidor gaste o tempo dele. Se esse conteúdo vai ser longa metragem ou página no Facebook, por exemplo, não importa. A história determina o formato e não ao contrário”, diz ele.

“Criamos um tipo novo de agência, então era difícil termos uma inspiração. Nos inspiramos mais no cinema e no Vale do Silício do que em outras agências. Temos um DNA da Califórnia”, completa.

Depois de passagens pela DM9 e Click, PJ já trabalhava nos EUA, quando teve a ideia de criar a POD com seu sócio, o americano Andrew O’Dell, há pouco mais de seis anos. “Começou a surgir uma nova geração de agências híbridas, que juntavam a publicidade tradicional com o digital. Mas todas elas vinham do mundo tradicional e não do mundo digital. Pensei, opa, temos aí uma oportunidade”, conta PJ.

De lá para cá, a agência se tornou a primeira no ranking da Fast Company de empresas mais inovadoras em propaganda; está no topo da lista da AdAge das dez agências standout do ano, que se destacaram por inovação, criatividade e efetividade; foi citada como uma das dez mais inovadoras do mundo pela Creativity; e, no ano passado, seu filme social “The Beauty Inside”, criado para a parceria entre Intel e Toshiba, ganhou o Emmy de Melhor Abordagem para a programação do dia e 3 GPs em Cannes — Cyber, Film e Branded Content. Este ano, outro filme “The Power Inside” foi indicado ao Emmy, na categoria Outstanding new approaches — Drama Series.

A chegada ao Brasil — com escritórios no Rio e em SP e tendo o Grupo ABC como um dos sócios — há um ano, contribuiu para que a POD tivesse um aumento de 25% na receita e de 18% no número de funcionários, em 2013. Segundo PJ, que levou o seu “jeitinho brasileiro” para os EUA, a criatividade é uma das características mais marcantes do mercado daqui.

“No Brasil, as agências fazem a criação e a mídia, o que difere do mercado americano, em que é separado. Com isso, a mídia é mais commoditizada e pouco criativa nos Estados Unidos”, destaca. “No entanto, o fato de não ter separado fez com que os formatos tradicionais tivessem maior peso por muito tempo. O mercado americano foi obrigado a criar novos formatos por sobrevivência, enquanto o Brasil demorou mais uns anos para se reinventar”, pondera.

Por aqui, a agência já acumula clientes como B2W, Fiat, Natura, BR Foods. Para PJ, o país é um “tubo de ensaio” para que a agência chegue a outros mercados. “Queremos abrir alguma coisa na Europa e na Ásia. Mas é mais um sonho do que um plano”, finaliza.

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