Por parroyo

A Omnicom e a Publicis  abandonaram uma negociação de US$ 35 bilhões que criaria a maior empresa de publicidade do mundo. As empresas disseram que não puderam superar obstáculos que prejudicaram o avanço e o fechamento do acordo.

Os atrasos criaram incerteza entre acionistas, funcionários e clientes, disseram a Omnicom, com sede em Nova York, e a Publicis, com sede em Paris, em um comunicado. Os conselhos de ambas as empresas decidiram por unanimidade encerrar a transação sem pagamento de rescisão.

“Estamos nos divorciando antes de casar”, disse o presidente e CEO da Publicis, Maurice Lévy, hoje, em uma teleconferência. “Não estamos totalmente de acordo, para dizer o mínimo, sobre como compartilhar as responsabilidades”.

O acordo acionário, anunciado como uma fusão entre iguais, teria criado uma empresa com US$ 23 bilhões em receita e mais recursos financeiros para investir em novas tecnologias de publicidade.

A propriedade seria dividida ao meio pelos dois conjuntos de acionistas e os CEOs administrariam conjuntamente a entidade combinada, disseram eles quando a transação foi anunciada, em julho.

Esses planos empacaram quando os conselhos não chegaram a um acordo sobre funções gerenciais fundamentais ou durante a integração de cima para baixo. Ou seja, a Publicis queria o direito de nomear o diretor financeiro do grupo combinado, disse Lévy nesta sexta-feira.

Ideia excelente

Descrevendo a fusão como uma “ideia excelente”, Lévy disse que os atrasos estavam aumentando a cada dia, o que levava a riscos maiores. A combinação não teria atingido os benefícios que as empresas planejavam, disse Lévy. A Publicis não está explorando nenhuma outra grande aquisição, disse ele. “Nós perdemos impulso”, disse o CEO. “É uma decepção que esse sonho não siga adiante”.

Em uma teleconferência em 22 de abril, o CEO da Omnicom, John Wren, disse que a transação estava avançando mais lentamente do que o previsto, citando a complexidade das aprovações regulatórias, incluindo decisões tributárias na Europa.

“É quase certeza que a causa principal foi gerencial e que o organizacional importa mais que os problemas fiscais ou antitruste”, disse Brian Wieser, analista da Pivotal Research Group em Nova York, em uma nota técnica.

A receita com publicidade nos EUA deverá aumentar 6 por cento neste ano, para US$ 168 bilhões, segundo uma pesquisa divulgada pela Magna Global em abril. A receita com anúncios em mídias digitais, que cresceu 17% no ano passado, deverá superar a da televisão em 2018. Em dezembro, a Magna projetou um crescimento de 6,5% da indústria global em 2014, para US$ 521,6 bilhões.

Interpublic Group

O fracasso do acordo não irá atrapalhar outras consolidações no setor, disse Wieser, na nota técnica. Ele sugeriu que a Publicis pode agora ir atrás da Interpublic Group of Cos. A Havas SA e a Dentsu Inc., do Japão, provavelmente também estão buscando aquisições, enquanto a Omnicom e a WPP Plc provavelmente procurariam permanecer como estão, disse ele.

A Havas, uma concorrente francesa menor na qual o bilionário Vincent Bollore é sócio, disse em um comunicado que sua escala permite à empresa “adaptar-se de forma mais eficiente ao novo ambiente da indústria de comunicação”.

Adquirente legal

Shusaku Kannan, um porta-voz da Dentsu, disse que a integração da empresa com a Aegis Group Plc, com sede em Londres, cujo negócio de compra foi fechado no ano passado, está progredindo dentro da normalidade e que adicionou clientes ao seu portfólio global.

Em entrevista concedida hoje, o CEO da WPP, Martin Sorrell, disse que sua empresa havia começado a tomar clientes e executivos da Omnicom e da Publicis.

“Lévy usou seu charme e seduziu Wren a fecharem a transação sob o Arco do Triunfo”, disse ele. “Os movimentos foram mais emotivos que racionais para tirar a WPP do caminho”.

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