Por marta.valim

A trajetória declinante das tarifas de interconexão móvel impactou os resultados das duas maiores operadoras móveis do país no primeiro trimestre. Fonte de receita para as teles, o Valor de Uso Móvel — remuneração que uma empresa de telefonia celular recebe pelo uso de sua rede — sofreu redução de 25% em fevereiro último, dentro de uma política de barateamento do serviço traçada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Nos resultados de janeiro a março divulgados na última quinta-feira, a TIM acusou o golpe da queda do VU-M no seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que totalizou R$ 1,32 bilhão no período. Embora tenha crescido 8% em relação ao mesmo período de 2013, o montante alcançaria o patamar de R$ 1,39 bilhão, descontado o efeito regulatório. Dentro dessa mesma lógica, a receita líquida de serviços móveis, que cresceu 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado, somando R$ 4,1 bilhões, aumentaria 5%. A diferença entre os dois percentuais equivale a um impacto negativo de aproximadamente R$ 140 milhões.

Também apresentados na semana passada, os resultados da Telefônica Vivo sofreram o impacto da diminuição do VU-M. A receita do serviço móvel teve expansão de 3,3% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2013. Sem o efeito do impacto regulatório, o crescimento da receita do serviço móvel no período seria de 6,5%, frente ao resultado obtido no primeiro trimestre do ano passado. A receita média por usuário (Arpu, na sigla em inglês) da operadora cresceu 0,7% entre janeiro e março, contra igual trimestre de 2013, alcançando o patamar de R$ 23,30. Excluído o efeito da redução do VU-M, o Arpu teria um incremento anual de 3,8%.

Em 2012, as tarifas de interconexão móvel tinham um valor médio de R$ 0,369. Depois de dois anos de redução, o VU-M médio é atualmente de R$ 0,2379. E deve chegar a R$ 0,1586 no próximo ano. “Essa é uma tendência no mundo inteiro. Existe um esforço dos órgãos reguladores para reduzir o VU-M, com o objetivo de baratear as as tarifas”, afirma Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. Na avaliação de Tude, a diminuição das tarifas de interconexão no país afeta principalmente a TIM. “É uma empresa que praticamente não tem operação fixa. Quando você possui uma base de telefonia fixa, como Oi e a Telefônica, tem receita interna”, diz o consultor, referindo-se às chamadas entre móvel e fixo dentro de uma mesma operadora.

No primeiro trimestre do ano, a TIM registrou lucro líquido de R$ 372 milhões, um acréscimo de 21,6% ante o período de janeiro a março de 2013. A empresa fechou março com 73,9 milhões de clientes, mantendo a segunda posição no ranking brasileiro de telefonia móvel, com market share de 27%. Sua base de clientes de planos pós-pagos avançou 11,9% em relação aos primeiros três meses do ano passado, somando 12,2 milhões de usuários, enquanto a de pré-pagos teve ampliação de 2,3%, para 61,7 milhões.

Mesmo com um incremento de apenas 0,3% na receita bruta do trimestre, na comparação anual, o presidente da TIM, Rodrigo Abreu, acredita que ainda há espaço para crescer no mercado brasileiro. “Essa estabilidade na receita bruta é fruto de vários componentes”, disse Abreu, em teleconferência na última sexta, citando como um dos fatores a diminuição no volume de vendas de aparelhos. “Mas o crescimento vegetativo da população, a substituição do fixo pelo celular e a adesão aos serviços móveis de dados vão continuar a impulsionar o mercado.”

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