Por parroyo

O Facebook  está tomando medidas para abrir um escritório de vendas na China a fim de trabalhar com anunciantes locais, segundo fontes do setor, uma iniciativa que colocaria pela primeira vez os funcionários da rede social naquele país, mesmo que seu serviço continue censurado lá.

O Facebook poderia abrir um escritório na China até dentro de um ano para atender a um conjunto crescente de clientes no país, disse uma fonte do setor que solicitou o anonimato porque a informação é confidencial. O Facebook está em discussões para alugar um espaço no Fortune Financial Center de Pequim, localizado no distrito central de negócios da cidade, segundo outras fontes. A empresa não decidiu se contratar empreiteiros ou funcionários de tempo completo para um escritório de vendas, o que exigiria uma licença de funcionamento, disse outra fonte do setor.

Abrir um escritório na China seria um passo importante para o Facebook, pois o país é um dos últimos grandes mercados que continuam relativamente inexplorados pela empresa. Embora o serviço de redes sociais da empresa tenha sido banido pelo governo chinês em 2009, por meio de um escritório em Hong Kong, fora do continente, a companhia tem desenvolvido negócios no país discretamente, com a venda de anúncios a empresas que querem chegar aos usuários internacionais.

“Hoje, nossa equipe de vendas em Hong Kong está apoiando essas empresas chinesas, mas devido ao rápido crescimento que elas estão alcançando por usar o Facebook, é óbvio que estamos explorando modos de fornecer ainda mais apoio localmente e podemos considerar ter um escritório de vendas na China no futuro”, disse o vice-presidente da Facebook, Vaughan Smith, em um comunicado enviado por e-mail. Ontem, ele não quis comentar sobre prazos ou localizações de um escritório na China.

Obstáculos na China

A China tem sido um osso duro de roer há muito tempo para as empresas de internet dos EUA. A eBay e a Yahoo!, entre outras, mal conseguiram progredir no mercado. Em 2010, a Google  disse que não cumpriria as regras de censura do país e fechou sua página local de busca. A Twitter também está bloqueada no país. Recentemente, a LinkedIn disse que planeja expandir seu site em chinês e que restringirá alguns conteúdos para aderir às regras de censura do governo.

A ausência na China de algumas empresas americanas de redes sociais desencadeou um boom de empresas web locais. O Weibo da Sina Corp., um serviço chinês que funciona como o Twitter, tem mais de 129 milhões de usuários mensais ativos e realizou uma abertura de capital nos EUA no mês passado. O WeChat da Tencent Holdings, que concorreria com o WhatsApp, o aplicativo de mensagens que a Facebook decidiu comprar por cerca de US$ 19 bilhões, tem 355 milhões de usuários.

Caminho tortuoso

No prospecto para sua abertura de capital, em 2012, o Facebook disse que “complexidades legais e regulatórias substanciais” impediam sua entrada na China, lar do maior número de usuários web do mundo.

Isso não impediu que a empresa, com sede em Menlo Park, Califórnia, desenvolvesse outras linhas comerciais na China. A Facebook tem se concentrado em fornecer anúncios a exportadores no país. Também possui “milhares” de desenvolvedores de aplicativos na China, disse Smith na Global Mobile Internet Conference, que ocorreu em Pequim, no dia 6 de maio.

Agora, a empresa está trabalhando para impulsionar as vendas na Ásia, onde ganhou US$ 354 milhões, ou 14 por cento da sua receita, no primeiro trimestre. A cifra supera os US$ 118 milhões, ou 11 por cento, obtidos na época da sua abertura, em maio de 2012.

Em setembro, a diretora operacional Sheryl Sandberg também se reuniu com a agência do governo que supervisiona os controles à internet na China. Sandberg e Cai Mingzhao, diretor da Secretaria de Informações do Conselho Estatal da China, discutiram assuntos como o “importante papel” desempenhado pelo Facebook ao ajudar empresas chinesas a se expandirem no exterior, conforme um comunicado publicado na época no site da agência.

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