Por monica.lima

Gavião Peixoto, SP - A presidenta Dilma Rousseff, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o ministro da Defesa Celso Amorim dividiram terça-feira o mesmo palco em Gavião Peixoto, a 330 km da capital paulista, para a inauguração do hangar onde será instalada a linha de montagem em série do KC-390, jato militar de transporte desenvolvido pela Embraer em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB), em um projeto de 2009. A data foi marcada também, pela assinatura do contrato com o Ministério da Defesa para a produção seriada de 28 aeronaves ao longo dos próximos dez anos, num contrato que equivale a R$ 7,2 bilhões e que também inclui o suporte logístico, como peças sobressalentes e manutenção das aeronaves.

"Esse contrato é que vai sustentar e ampliar a manutenção dos empregos da unidade de Gavião Peixoto”, afirmou o presidente da Embraer, Frederico Curado. A unidade conta hoje com 1.500 funcionários.

Primeiro resultado concreto desde que o governo federal decidiu apostar na indústria brasileira para desenvolver sua área de defesa, o KC-390 é o maior modelo já desenvolvido pela Embraer, num projeto com a FAB da ordem de R$ 4,6 bilhões no desenvolvimento do modelo. Trata-se de um avião multimissão, tático e que pode ser reabastecido em voo. “Em um país continental como o Brasil, que faz fronteira com dez países, poder ser abastecido em voo é uma vantagem competitiva e motivo para comemorar”, disse o ministro Celso Amorim. Ele afirmou ainda que a assinatura do contrato, além de viabilizar o projeto, mostra para outros interessados o grande feito tecnológico que a empresa alcançou.

Além das aeronaves%2C entregues em um período de dez anos%2C o contrato de R%24 7%2C2 bi inclui a manutenção das aeronavesMurillo Constantino


A presidenta Dilma Rousseff ressaltou a importância estratégica do contrato, que aponta o horizonte no qual Embraer vai se desenvolver. “Mostra também que a partir de agora nós temos melhores condições de transformar o KC-390 num produto que será vendido em todas as partes do mundo”, disse.

Além do pedido do ministério da Defesa, existem intenções de compra de 32 aeronaves por Argentina, Colômbia, Chile, Portugal e República Tcheca. A Embraer disse que a encomenda do governo brasileiro entrará em sua carteira de pedidos apenas após documentação complementar de contrato, o que deve ocorrer em 90 dias.

De acordo com o presidente da Embraer Defesa, Jackson Schneider, estimativa da empresa aponta um mercado potencial de 728 aviões cargueiros nos moldes do KC-390 para os próximos 20 anos. “Desse mercado, queremos atender entre 15% e 20%”, afirmou.

Segundo o executivo, o voo do protótipo está previsto para ser realizado ainda neste ano, provavelmente no quarto trimestre. Já o primeiro pedido para o comando da FAB deverá ser entregue no final de 2016.

As aeronaves KC-390 substituirão o C-130 Hércules, da norte-americana Lockheed Martin, na frota da FAB. O novo modelo poderá realizar diversas missões, como transporte de carga e de tropa, lançamento de carga, busca e resgate além de combate a incêndios florestais.

O cargueiro também sinaliza a estratégia de diversificação da fabricante, que vem ampliando o peso da área de Defesa. No primeiro trimestre deste ano, a divisão, criada em 2011, teve alta de 320% no lucro da companhia em relação ao mesmo período do ano passado e respondeu por 31,8% do faturamento, que somou R$ 2,92 bilhões no período. Entre janeiro e março, o braço de Defesa da brasileira faturou R$ 931,4 milhões, valor 87% superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado.

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