Por monica.lima
"O mercado brasileiro tem boas perspectivas de investimentos em malha ferroviária a partir de 2015"%2C afirma o diretor da Italferr para a AL%2C Marco StegherPatricia Stavis

São Paulo - Dois anos depois de começar a dar seus primeiros passos no Brasil, a Italferr - empresa italiana de projetos de engenharia de ferrovias pertencente ao grupo estatal Ferrovie dello Stato - estuda fortalecer sua presença no país. Após enfrentar alguns contratempos no mercado brasileiro, a companhia está em processo de avaliação para a instalação de uma operação local, para que os negócios enfim encontrem sua trilha de crescimento.

“Apesar de um cenário complexo desse ano, em virtude de uma série de fatores, o mercado brasileiro tem boas perspectivas de investimentos em malha ferroviária a partir de 2015. Precisamos dar um passo adiante agora para nos prepararmos para esse momento”, afirma Marco Stegher, diretor de desenvolvimento de mercado da Italferr para a América Latina.

Segundo o executivo, duas alternativas estão em avaliação pela matriz italiana. A primeira e mais provável seria o investimento direto na estruturação da operação. A segunda opção envolveria a aquisição de uma empresa brasileira para acelerar a entrada no mercado. “Existe uma possibilidade de a operação local ser inaugurada ainda neste ano”, diz Stegher.

A postura cautelosa tem explicação, em virtude das primeiras incursões da Italferr no Brasil. Com experiência em iniciativas de trem de alta velocidade (TAV), o projeto do trem bala Rio de Janeiro —São Paulo — Campinas foi o chamariz para a empresa. Em julho de 2013, o consórcio formado pela Italferr e a Geodata do Brasil foi o vencedor da licitação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) para gerenciar o projeto executivo de engenharia do trem bala brasileiro. Os outros sete consórcios foram desclassificados no processo.“No entanto, em setembro, recebemos a notícia que o processo de licitação havia sido revogado, por razão de interesse público”, explica.

Poucos meses antes, a Italferr já havia enfrentado a suspensão por tempo indeterminado da licitação que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) promoveu para o projeto do Expresso Jundiaí. “Hoje, o sentimento da companhia com o Brasil está se ajustando. Temos uma visão mais realista, mas ainda positiva”, diz.

Sob essa nova visão, um dos focos são os investimentos previstos no programa do governo de concessões de ferrovias. “Passamos a olhar o setor privado como um cliente potencial no país”. A empresa redirecionou sua estratégia para prestar serviços de consultoria aos potenciais concessionários privados que estão se preparando para participar desses processos.

Com dois contratos já assinados no Brasil — o nome dos clientes não foi revelado —, sendo um na área de transporte de cargas e outro na área de passageiros, a Italferr aposta não apenas em sua experiência de engenharia em projetos desse porte, especialmente na Europa e no Oriente Médio. “O programa envolve concessões de longo prazo e passa por questões que precisam ser avaliadas, como os custos operacionais envolvidos e a necessidade de se adotar um padrão de interoperabilidade entre as ferrovias. Não há muito conhecimento local sobre esses temas. Por outro lado, esse é o nosso mercado”, afirma.

Stegher acrescenta que essas parcerias abre m boas oportunidades para a participação posterior da Italferr nesses processos, caso as concessionárias atendidas assumam as concessões previstas.

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